“Dois jovens foram executados desarmados”, diz morador do Jacarezinho

Segundo ele, as vítimas foram mortas dentro da casa dele. "Foi tudo a sangue frio. Me senti no Iraque ou Afeganistão", desabafou o morador

atualizado 09/05/2021 19:03

Morador que denuncia que dois jovens foram executados no JacarezinhoFoto: Aline Massuca/Metrópoles

Rio de Janeiro – “Dois jovens traficantes foram executados, desarmados, a sangue frio na minha casa. Me senti no Iraque ou Afeganistão”, denunciou um morador da comunidade do Jacarezinho, zona norte da cidade. Segundo ele, os crimes aconteceram na presença da avó, de 83 anos, por volta das 7h50, na operação da Polícia Civil na quinta-feira (6/8). Os jovens seriam dois dos 27 mortos acusados de envolvimento com o tráfico de drogas, na operação que resultou também na morte de um policial. A Secretaria de Polícia Civil nega ilegalidades na ação.

“Foi tudo muito rápido. Durante uns dez minutos houve silêncio. Quando isso acontece é porque acabou a munição. De repente, em cinco segundos os policiais vieram aqui e mataram. Eles entraram aqui apontado o fuzil, sem dar um bom dia, arrogantes e debochados. Depois ainda disseram ‘é só subir e limpar’. Fiquei horrorizado”, afirmou o morador, que planeja deixar de morar na comunidade para ter filhos.

Veja a entrevista com o morador:

Segundo ele, um jovem foi preso. “A situação era trágica. Um jovem foi encontrado vivo no quarto. Mas não foi morto por causa da minha avó, de 83 anos, que estava lá. Pedi para eles não matarem. Tinha mais de dez policiais, e um deu voz de prisão e ainda deu conselho para ele largar essa vida e ir para igreja”, contou.

A Defensoria Pública do estado analisa denúncias de moradores e pretende cobrar reparação jurídica do estado. 

O morador entrou em contato com o ouvidor-geral da Defensoria Pública do estado, Guilherme Pimentel. “Estamos à disposição desta pessoa e de outras para ouvir os relatos de violações. Ele mencionou que era neto da pessoa idosa que passou pela situação. Me coloquei à disposição para garantir acolhimento dessa família para busca de apoio psicológico e reparações aos danos sofridos. Nos mantemos à disposição para acolher todas as famílias que sofreram com isso”, afirmou Pimentel.

Em nota, a Secretaria de Polícia Civil informou que “a versão apresentada vai ser checada no inquérito policial que está em andamento, que serve para este tipo de apuração também, e que vem sendo acompanhado pelo Ministério Público. (…) reforça, ainda, que alguns relatos divulgados como verdadeiros, como de um morto a facadas, já foram desmentidos pela perícia”.

O órgão esclareceu que não há registros na Corregedoria e que denúncias podem ser feitas pelo telefone (21) 2332-9733.

O Ministério Público abriu uma investigação para apurar a operação. Marcas de bala em casas e comércios da comunidade podem ser facilmente observadas.

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