Defensoria recebe denúncias do Jacarezinho e avalia ações de reparação

Para o ouvidor-geral, Guilherme Pimentel, houve grau de brutalidade jamais visto na operação da polícia, com o maior registro de letalidade

atualizado 08/05/2021 16:15

Imagens mostram banho de sangue em operação policial no JacarezinhoReprodução/Redes sociais

Rio de Janeiro – “Houve um grau de brutalidade jamais visto”, afirmou o ouvidor-geral da Defensoria Pública do estado, Guilherme Pimentel, sobre a operação da Polícia Civil na comunidade do Jacarezinho, na quinta-feira (6/5). Foram registradas 29 mortes – 28 de acusados de envolvimento com o tráfico de drogas e um policial civil.

O órgão está recebendo denúncias de violência dos moradores e analisa ações de indenizações contra o governo estadual na Justiça. “Vimos muito sangue, restos mortais na casa dos moradores, carros e veículos destruídos. Cada caso será analisado e todas as medidas cabíveis de reparações serão tomadas”, explicou.

De acordo com Pimentel, a Defensoria começou a ser acionada por moradores ainda por volta das 6h40 de quinta. “Pelos relatos, já havia indícios ali de uma crise humanitária com invasões de domicílios, execuções, maus-tratos e ameaças. Os pedidos eram tantos que fomos para o local, por volta das 13h30. Estamos em contato com moradores, familiares, para dar o acolhimento, garantir direitos”, alegou.

A Defensoria disponibilizou o WhatsApp com o número (21) 99617-4115 para as vítimas de violações entrarem em contato com o Núcleo de Defesa dos Direitos Humano.

“Tudo que arrecadarmos vamos encaminhar para a investigação independente do Ministério Público”, informou Pimentel. A necropsia dos corpos foi acompanhada por um perito legista indicados por promotores.

Neste sábado (8/5), o policiamento foi reforçado nas principais vias de acesso à comunidade do Jacarezinho. Parentes ainda tentam a liberação de corpos no Instituto Médico-Legal, no Centro. Pimentel cobra ainda investigação rigorosa e independente sobre as mortes.

Veja o vídeo:

Há previsão de sepultamentos de seis suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas nos cemitérios de Inhaúma e Caju, ambos na zona norte. Nessa sexta-feira (7/5), o policial André Frias, morto na ação, foi sepultado.

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