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Brasil

Do Val recusa "saída honrosa” do Senado: "Não negocio com bandido”

Alvo de medidas do STF, senador criticou Moraes e descartou acordo ventilado por líderes do Senado

Repórter de Brasil14/08/2025 13:34, atualizado 15/08/2025 14:37
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Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela
Senador Marcos do Val (Podemos-ES), sentado em sua cadeira no senado após fazer protesto no plenário do Senado Metrópoles

O senador Marcos do Val (Podemos-ES), alvo de congelamento de salário e uso de tornozeleira eletrônica por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, descarta um afastamento discreto do mandato. A alternativa é estudada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A ideia seria afastar o senador por seis meses. Em troca, a Advocacia-Geral do Senado deverá pedir que o Supremo atenue as cautelares impostas a do Val, como a liberação do salário e de verbas para manutenção do gabinete. A “saída” foi levada por Alcolumbre ao colégio de líderes na semana passada.

Trata-se de uma “saída honrosa”, segundo líderes consultados pela reportagem sob reserva. O comportamento do senador capixaba tem incomodado os caciques partidários, que classificam o senador como “um problema”. O líder do Podemos, Carlos Viana, chegou a procurar do Val e pediu que o senador aceite o afastamento “voluntariamente”.

O senador não recebeu bem a sugestão. Questionado pelo Metrópoles, Marcos do Val disse que negou que aceitaria ser afastado por seis meses e que “não negocia com bandido”, referindo-se ao ministro Alexandre de Moraes.

“Não! Eu não cometi nenhum crime. E não negocio com bandido”, disse.

A responsabilidade sobre o afastamento de Marcos do Val foi atribuída ao procurador do Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), que ainda se reunirá com o presidente para definir os próximos passos para o processo.

Alcolumbre estuda retomar Conselho de Ética

Em meio à situação de Marcos do Val, o presidente do Senado estuda retomar os trabalhos do Conselho de Ética, parado há mais de um ano e sem presidente. Durante a reunião de líderes, Alcolumbre pediu indicações de integrantes.

Cabe ao colegiado estudar e aplicar punições aos parlamentares por infrações ao decoro parlamentar durante o mandato. É composto por 15 membros titulares e 15 suplentes. A retomada dos trabalhos é vista como uma forma de prevenir novas situações como a de Marcos do Val e oferecer soluções internas, sem a interferência do STF.

Marcos do Val é investigado por divulgar imagens de delegados da Polícia Federal à frente dos inquéritos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados. O senador viajou aos Estados Unidos em julho, com um passaporte diplomático, desrespeitando uma decisão judicial. Ao desembarcar no Brasil, foi alvo de uma operação da PF e teve que colocar tornozeleira eletrônica. Ele também está impedido de usar redes sociais.

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