Discord contesta ANPD e diz que derrubou servidor antes de morte
Governo federal determinou, nesta quarta (12/8), a suspensão de lives da plataforma Discord no Brasil

A plataforma Discord se manifestou, na tarde desta quarta-feira (12/8), sobre a decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que suspendeu a função de transmissões de lives no Brasil da empresa norte-americana.

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Ver todasEntre outros pontos, a plataforma disse que a caracterização feita pela ANPD não reflete o Discord e nem os investimentos feitos em segurança dos usuários. Também citou que, no caso específico investigado, da morte de uma usuária durante uma transmissão.
“O Discord investigou um servidor privado no qual acredita-se que indivíduos envolvidos em atividades criminosas tenham incentivado a automutilação e derrubou o servidor antes da morte da adolescente”, diz trecho da nota.
Uma operação conjunta das polícias civis de cinco estados cumpriu, no dia 4 de agosto, mandados contra suspeitos de participação na morte de uma adolescente de 13 anos que tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo na plataforma.
A investigação aponta que a vítima teria sido induzida, coagida e ameaçada por integrantes do grupo até cometer o ato.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm nota, a plataforma alegou estar investigando o servidor privado que teria sido usado por usuários para realizar atividades que tenham incentivado atitudes de automutilação.
“Como resultado das denúncias proativas feitas pelo Discord e das respostas às solicitações das autoridades policiais, extremistas violentos foram detidos pelas autoridades”, frisou a empresa.
O Discord ainda pontuou estar “desapontados” pela decisão da ANPD sobre a proibição das lives na plataforma, alegando ainda estar dentro do prazo para apresentar uma resposta ao Governo Federal.
“Também temos mantido um diálogo ativo com a ANPD no âmbito do processo administrativo e aguardávamos a oportunidade de apresentar nossa manifestação”, completou.
Veja nota:
“Recebemos a determinação da ANPD e estamos cuidadosamente analisando seu conteúdo. A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários. O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência. Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação. Além disso, nossa investigação encontrou evidências de que a atividade criminosa foi coordenada em outras plataformas antes da criação do servidor no Discord e continuou nessas plataformas após os indivíduos envolvidos terem sido banidos do Discord. Temos o compromisso com a segurança dos nossos usuários e contamos com equipes dedicadas em desarticular a atuação desses grupos, derrubar conteúdos que violem nossas políticas e tomar medidas contra os responsáveis por essas condutas em nossa plataforma. Esperamos continuar nossas conversas com formuladores de políticas públicas no Brasil para promover uma experiência online mais segura para todos os usuários, tanto no Discord quanto em toda a internet.”
Morte de menina em live
A vítima morava em Naviraí (MS) e morreu em 22 de julho. Segundo o coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), Alessandro Barreto, a adolescente foi submetida a uma sequência de desafios antes da morte.
“Eles deram a ela a missão de matar um animal. Como ela não conseguiu cumprir essa determinação, foi obrigada a escrever uma carta de despedida e tirar a própria vida”, afirmou.
A adolescente permaneceu mais de 45 minutos se automutilando durante a transmissão, enquanto outros participantes acompanhavam a cena em tempo real por meio da plataforma Discord.
A jovem foi encontrada sem vida pela mãe, na varanda da residência onde morava com a família.



