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Eleições 2026Brasil

Em eleição apertada, abstenção tem potencial de impactar resultado. Entenda

Especialistas consultados pelo Metrópoles avaliam que, assim como em 2022, índice de abstenção pode ser novamente alto

26/09/2026 17:59
Otávio Augusto/ Arte Metrópoles
Eleições - calendário eleitoral - urna - TSE

Em uma disputa acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), principais candidatos à Presidência da República no pleito deste ano, a participação do eleitorado ganha ainda mais peso na definição do próximo presidente do Brasil.

A expectativa entre especialistas é que, assim como em 2022, as eleições deste ano ainda tenham alto índice de abstenção.

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A ausência do eleitor nas cabines de votação pode ter impacto direto sobre o candidato eleito, já que a escolha é definida pelos votos efetivamente registrados nas urnas, e não pelo total de eleitores aptos. Assim, quanto maior a abstenção, menor tende a ser o universo de votos efetivamente considerados para definir o resultado.

“O ponto central é quais segmentos da sociedade se se abstêm mais ou menos. Se a ausência fosse distribuída de maneira uniforme entre todos os segmentos do eleitorado, seu efeito sobre o resultado seria igual para todos os candidatos. A questão, todavia, é que a abstenção geralmente não é uniforme: determinados grupos sociais e regiões acabam apresentando taxas diferentes de comparecimento”, avalia o cientista político Leandro Gabiati.

Em tese, isso significa que a composição dos eleitores que comparecem às urnas pode adquirir maior importância: grupos que apresentam maior disposição para votar acabam tendo maior peso relativo entre os votos contabilizados. Neste sentido, Gabiati reforça a esforço das campanhas em levar os eleitores às urnas.

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“Por isso, na última semana antes de cada turno, as campanhas não disputam votos, mas também precisam incentivar seus apoiadores para que compareçam às urnas”, pontua.


Abstenções eleições presidenciais

2018

1º Turno 
20,3% – 29.941.171 eleitores

2º Turno
21,3% – 31.372.373 eleitores

2022

1º Turno 
20,9% – 32.770.982 eleitores

2º Turno
20,5% – 32.200.558 eleitores


Razões para as abstenções

Para analistas consultados pelo Metrópoles, motivos variados podem influenciar o eleitor a não comparecerem às urnas. O principal deles, contudo, pode ser explicados por fatores estruturais, como a dinâmica do processo eleitoral brasileiro, acessibilidade e até mesmo o contexto político que o país atravessa neste momento.

No que diz aos fatores estruturais, os especialistas citam o fato do voto ser obrigatório no Brasil e com a imposição de sanção simbólica – como multa de R$ 3,51 para quem não comparece no dia da votação e não justifica a ausência. A facilidade do eleitor para justificar a referida ausência também pesa o aumento abstenção.

“A Justiça Eleitoral disponibilizou aplicativos que possibilidade que você justifique o voto com maior facilidade. Basta abrir o aplicativo, ele identifica que vc está fora do seu domicílio eleitoral e ele permite que se justifique o voto por ali. Então reduziu-se os custos para que se não votasse enquanto o voto continua obrigatório”, avalia o professor do curso de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

O terceiro, aponta Leandro Gabiati, é o envelhecimento do eleitorado — acima dos 70 anos, o voto passa a ser facultativo. Pesa ainda componente socioeconômico: no primeiro turno de 2022, 55% dos que se abstiveram tinham estudado apenas até o ensino fundamental, população mais pobre e com mais dificuldade para se deslocar até o local de votação.

Mas além dos fatores estruturais, o docente da UFPI chama atenção para questões políticas que, neste ano, também podem influenciar nos índices de abstenção. O professor pontua que o país vive um momento de hiperpolarização entre “lulopetismo” e “bolsonarismo”, com um patamar estável de 20% de abstenções e outros 20% a 25% pulverizados na terceira via.

“Numa eleição tão competitiva e com empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, as campanhas tentam trazer esse eleitor que está desiludido, que faz um cálculo de custo-benefício e acha que o voto não será decisivo“, diz.

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Presidente Lula durante ato de campanha em Ceilândia (DF)
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, em comício na Paulista, no 7 de Setembro
Flávio Bolsonaro na Paulista
Lula em campanha
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Lula em campanha

KEBEC NOGUEIRA /METRÓPOLES @kebecfotografo
Presidente Lula durante ato de campanha em Ceilândia (DF)
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Presidente Lula durante ato de campanha em Ceilândia (DF)

KEBEC NOGUEIRA /METRÓPOLES @kebecfotografo
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, em comício na Paulista, no 7 de Setembro
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Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, em comício na Paulista, no 7 de Setembro

Rebeca Ligabue/Metrópoles
Flávio Bolsonaro na Paulista
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Flávio Bolsonaro na Paulista

Sam Pancher/Metrópoles

Abstenção X voto nulo

É importante ressaltar ainda que há importantes distinção entre a abstenção e o voto nulo. Conforme define o próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a abstenção é o termo usado para definir a não-participação do eleitor no ato de votar. Ou seja, é a contagem dos eleitores aptos e que faltaram na seção no dia da votação.

O voto nulo, por outro lado, aquele em que o eleitor manifesta sua vontade de anular o voto. No caso do voto nulo, o eleitor precisa comparecer às urnas para manifestar o desejo de anular o voto.

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