Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Dino e Twitter se desentendem em reunião sobre ameaças a escolas

Funcionários do Twitter irritaram Flávio Dino ao minimizar a existência de perfis com nomes de autores de massacre

11/04/2023 02:00, atualizado 11/04/2023 08:42
David Odisho/Getty Images
twitter sede

Representantes de redes sociais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) se reuniram nessa segunda-feira (10/4) para discutir medidas de prevenção e combate às ameaças de ataques em escolas. O ministro Flávio Dino, porém, se desentendeu durante o encontro com uma representante do Twitter.

Também estavam presentes funcionários da Meta, Kwai, TikTok, WhatsApp, Youtube e Google. Em coletiva depois da reunião, Dino afirmou que “praticamente todas” as plataformas foram receptivas com as determinações apresentadas pelo ministério, com uma exceção que não foi mencionada.

A empresa do bilionário Elon Musk foi representada no encontro por uma funcionária do departamento jurídico no Brasil e outra representante, baseada nos Estados Unidos. Durante a reunião, o ministro se exaltou com uma posição defendida pelo Twitter.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

O motivo da exaltação foi a criação de perfis no Twitter que utilizavam os nomes e fotos dos autores do massacre de Suzano (SP), que assassinaram cinco estudantes e duas funcionárias de uma escola estadual no interior de São Paulo em 2019.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Dino defendeu que esses perfis devem ser excluídos por incentivar ataques e espalhar um clima de medo nas redes sociais. Já os representantes do Twitter argumentaram que não havia necessidade de excluí-los, uma vez que a mera existência dos perfis não contraria os “termos de uso” da rede social.

O ministro da Justiça se irritou com a posição da plataforma e argumentou que o Twitter não entendia a gravidade e dimensão do tema. O episódio foi citado por Dino durante a coletiva que procedeu a reunião, onde ele defendeu a responsabilização das empresas de tecnologia que não seguirem as determinações que serão definidas.

“Uma [plataforma] veio alegar ‘termos de uso’ e eu deixei claro que os ‘termos de uso’ não se sobrepõem à Constituição, às leis e às vidas das crianças e adolescentes brasileiros”, afirmou Dino. O ministro ainda ressaltou que será feito um “diálogo em separado” com os representantes da plataforma que teria agido com “menos receptividade”.

Em entrevista ao Metrópoles, Dino subiu o tom ao falar da possibilidade das plataformas não atenderem as demandas do MJSP para combater ameaças de ataques em escolas.

“Volto a dizer, não é porque o governo quer, é porque a sociedade precisa. Se eles não entenderem, vão ser obrigados a entender”.

A reportagem encontrou em contato com a assessoria de comunicação do Twitter, mas não houve uma resposta até a publicação desta matéria.