Dilma: “Temer cometeu novo ato de sincericídio ao falar sobre golpe”

Ex-presidente deu entrevista ao blog do Sakamoto, no qual avaliou que o objetivo do impeachment era mudar a economia

DIDA SAMPAIO/ESTADAODIDA SAMPAIO/ESTADAO

atualizado 17/09/2019 13:10

O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou, em entrevista ao programa Roda Viva, que não participou das articulações para o impeachment da também ex-presidente Dilma Roussff (PT). Na ocasião, ele chamou o processo, pela primeira vez, de “golpe”. Dilma, por sua vez, respondeu dizendo que seu sucessor cometeu, novamente, um ato de “sincericídio”.

“Michel Temer cometeu ontem [segunda-feira] novo ato de sincericídio no Roda Viva. Admitiu que eu sofri um golpe de Estado e disse que se Lula tivesse ido para o meu governo não teria havido o impeachment”, afirmou a ex-presidente ao blog do Sakamoto.

Para a ex-presidente, o processo todo teve um objetivo econômico. “Temer não disse, contudo, que o Golpe de 2016 foi para enquadrar o Brasil no neoliberalismo. E, claro, negou ter participado diretamente do golpe.”

Entrevista
O ex-presidente Michel Temer usou duas vezes a palavra “golpe” para se referir à cassação do mandato de Dilma Rousseff.  “Eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe”, disse em um momento. Um minuto depois, repetiu: “O telefonema do ex-presidente Lula revela, exata e precisamente, que eu não era, digamos, adepto do golpe”.

Ainda assim, o ex-presidente disse que gostou de ter sido presidente. “Eu tive muito gosto em ser presidente da República”, disse Michel Temer (MDB) nesta segunda-feira (16/09/2019), em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Essas foram as suas primeiras declarações à imprensa após as prisões que sofreu depois de deixar o Palácio do Planalto.

No entanto, chegar à Presidência, segundo ele, não foi algo que ele almejou ou conspirou para tal. Temer chegou a chamar de golpe o processo de impeachment a que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi submetida. “O pessoal dizia ‘o Temer é golpista’ e que eu teria apoiado o golpe. Diferente disso, eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe”, afirmou.

O emedebista relembrou de um telefonema que recebeu do ex-presidente Lula, que, segundo ele, pedia que o vice de Dilma se esforçasse para trazer de volta o MDB para a trincheira governista e unir forças para evitar o “impedimento”.

“A esta altura, eu confesso, que a movimentação popular era tão grande e tão intensa que os partidos estavam mais ou menos vocacionados para a ideia do impedimento”, afirmou Temer. De acordo com o ex-vice-presidente, o telefonema de Lula é uma das provas de que ele não era “adepto do golpe”.

“Apenas assumi a Presidência da República pela via não só constitucional, mas também eleitoral, uma vez que eu fui eleito e com os votos do MDB”, ressaltou.

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