Temer sobre impeachment: “Jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe”

"Movimentação popular era tão grande e tão intensa que os partidos estavam vocacionados para a ideia do impedimento", disse o ex-presidente

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atualizado 16/09/2019 23:46

“Eu tive muito gosto em ser presidente da República”, a fala é do ex-presidente Michel Temer (MDB), feita nesta segunda-feira (16/09/2019), em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nas primeiras declarações dadas à imprensa após as prisões que sofreu depois de deixar o Palácio do Planalto. No entanto, chegar à Presidência, segundo ele, não foi algo que ele almejou ou conspirou para tal. Temer chega a chamar de golpe o processo de impeachment a que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi submetida. “O pessoal dizia ‘o Temer é golpista’ e que eu teria apoiado o golpe. Diferente disso, eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe”, afirmou.

O emedebista relembrou de um telefonema que recebeu do ex-presidente Lula, que, segundo ele, pedia que o vice de Dilma se esforçasse para trazer de volta o MDB para a trincheira governista e unir forças para evitar o “impedimento”.

“A esta altura, eu confesso, que a movimentação popular era tão grande e tão intensa que os partidos estavam mais ou menos vocacionados para a ideia do impedimento”, afirmou Temer. De acordo com o ex-vice-presidente, o telefonema de Lula é uma das provas de que ele não era “adepto do golpe”.

“Apenas assumi a Presidência da República pela via não só constitucional, mas também eleitoral, uma vez que eu fui eleito e com os votos do MDB”, ressaltou.

Não conspirou?
Questionado se não “conspirou nem um pouquinho” para o afastamento da ex-presidente, Michel Temer assegurou que ele se esforçou para evitá-lo, mas o seu partido não. “Fui muito franco com Lula ao dizer que as manifestações populares estavam muito fortes e isso causa problemas aos parlamentares”, disse.

O ex-presidente ainda afirmou que acreditou até o último momento que não haveria o afastamento da então presidente. Ele teria chegado a garantir a Dilma que o então comandante da Câmara, deputado Eduardo Cunha (MDB), arquivaria todos os pedidos de impeachment que a ele chegassem. “Era a minha impressão”, observou.

Ele assegurou que procurou se afastar de todo o processo que culminou com a saída da petista da Presidência. “Como o vice é sempre o primeiro suspeito, passei quase quatro meses em São Paulo, só retornando a Brasília uns três dias antes da sessão [do impeachment]”, afirmou. “Mas eu não poderia ser articulador de um golpe. Eu sabia que chegaria mal ao governo”.

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