Diesel sobe 3,77% no IPCA-15: os vilões da prévia da inflação de março
O grupo de alimentação e bebidas teve a maior alta no mês, de 0,88%. Açaí aumentou 29,95%
atualizado
Compartilhar notícia

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, indica que os preços de bens e serviços subiram 0,44% em março.
No período avaliado, o diesel apresentou alta de 3,77%, sendo um dos vilões do bolso dos brasileiros. O grupo de alimentação e bebidas teve a maior alta no mês (0,88%) e apresentou o maior impacto no índice.
Os dados referentes ao IPCA-15 foram divulgados nesta quinta-feira (26/3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 13 de fevereiro a 17 de março de 2026 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 15 de janeiro a 12 de fevereiro de 2026 (base). Por este motivo, o índice não absorveu todo o impacto da alta no preço do petróleo, decorrente da guerra no Oriente Médio, que começou no último dia de fevereiro.
O IPCA-15
- O IPCA-15 difere do IPCA, que mede a inflação oficial do país, na abrangência geográfica e no período de coleta, que começa no dia 16 do mês anterior. Por essa razão, ele funciona como uma prévia do IPCA.
- O indicador coleta dados sobre as famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. Ele abrange: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.
- A próxima divulgação será no dia 28 de abril.
No acumulado de 12 meses, a prévia da inflação tem alta de 3,9%, índice menor do que os 4,1% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em relação a março de 2025, quando o índice registrou elevação de 0,64%, houve uma queda de 0,2 ponto percentual.
Os vilões
No período avaliado pelo IBGE, o óleo diesel apresentou alta de 3,77%. Na prática, a percepção do consumidor é maior. Uma das explicações é o período de apuração do IPCA-15, que, seguindo a metodologia do IBGE, levou em conta também os preços antes da guerra.
O IPCA-15 de março apurou os preços do período de 13 de fevereiro a 17 de março de 2026. Como a guerra no Oriente Médio teve início no último dia 28 de fevereiro, os primeiros 16 dias do levantamento (13/2 a 28/2) não contemplam os efeitos do conflito.
O IPCA-15 é chamado de “prévia da inflação”. Isso acontece porque o levantamento considerado mais assertivo para o índice é o IPCA, que tem os preços coletados do primeiro ao último dia de cada mês. Este índice, referente a todo o mês de março, tem publicação marcada para o próximo dia 10, quando os efeitos da guerra nos preços dos combustíveis deve ser mais notável.
Outros combustíveis apresentaram deflação em relação a fevereiro:
- gás veicular (-2,27%);
- etanol (-0,61%);
- gasolina (-0,08%).
Alimentos pesam no bolso
Os produtos e serviços que compõem o IPCA-15 são divididos em nove grupos. Todos eles apresentaram altas que variaram de 0,03% (comunicação) a 0,88% (alimentação e bebidas).
O grupo com maior impacto na inflação foi o de alimentação e bebidas, com elevação de 0,88% de fevereiro para março. O peso no IPCA-15 varia de um grupo para outro, ou seja, não é igual. Isso acontece porque o IBGE considera que alguns itens são mais consumidos pelas famílias do que outros.
A alta do grupo de alimentos foi puxada principalmente pela alimentação no domicílio, que acelerou 1,10% em março.
Contribuíram para esse resultado as altas de:
- açaí (29,95%);
- feijão-carioca (19,69%);
- ovo de galinha (7,54%);
- leite longa vida (4,46%);
- carnes (1,45%).
Ainda no grupo de alimentação e bebidas, também houve retrações, casos do café moído (-1,76%) e das frutas (-1,31%).
Confira a variação dos grupos:
- Alimentação e bebidas: 0,88%;
- Habitação: 0,24%;]
- Artigos de residência: 0,37%;
- Vestuário: 0,47%;
- Transportes: 0,21%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,36%;
- Despesas pessoais: 0,82%;
- Educação: 0,05%;
- Comunicação: 0,03%.
Projeções anuais
Segundo o relatório Focus, as previsões indicam que o IPCA fechará o ano em 4,17%.
Em 2026, a meta inflacionária é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual (com piso de 1,5% e teto de 4,5%). Se o acumulado em 12 meses ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.
O governo projeta que a inflação ficará em 3,7% em 2026 e o Banco Central (BC) considera o índice de 3,9%.
