
Desdobramentos de Dark Horse dão fôlego para Lula e aliados miram Mendonça
PT e aliados do presidente aproveitam operação da PF contra filme sobre Jair Bolsonaro para intensificar críticas contra Flávio Bolsonaro

Os novos desdobramentos das investigações sobre o filme “Dark Horse” deram um respiro para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após uma sequência de desgastes. A Operação Make Up, da Polícia Federal (PF), mirou a produtora do longa que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e trouxe novos elementos sobre o caso.
A ação da PF, conjuntamente com a Controladoria-Geral da União (CGU) e autorizada nessa quinta-feira (10/9) pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. Entre os alvos, estava o deputado federal Mario Frias (PL).
A corporação identificou uma coincidência entre o repasse de verbas das emendas parlamentares de Frias e o custeio das despesas da produtora Go Up, responsável pela cinebiografia de Bolsonaro.
A investigação apontou que Mário Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina da Gama, empresária sócia da Go Up.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAliados do chefe do Planalto aproveitaram a brecha para intensificar as críticas contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do petista na corrida eleitoral. Nos últimos dias, petistas também elevaram o tom contra o ministro André Mendonça, do STF, relator de inquéritos relacionados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O magistrado está no centro da crise que se instalou na Corte após ele autorizar a derrubada do sigilo de um relatório da PF que aponta diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro. Mendonça foi responsável pela decisão de afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — medida posteriormente anulada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Embora derrubada, a decisão arrastou o governo federal para a crise no momento mais crítico para a campanha de Lula até aqui. Pesquisas recentes mediram o efeito dos desgastes, que vinham desde as revelações sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

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Ver todasLevantamento da Quaest, divulgado na segunda-feira (7/9), mostra os dois candidatos empatados com 41% das intenções de voto no segundo turno das eleições presidenciais. Em julho, Lula liderava a disputa com oito pontos percentuais de vantagem.
Já a AtlasIntel/Bloomberg dessa quinta aponta o candidato do PL à frente numericamente pela primeira vez desde março. Segundo a pesquisa, Flávio tem 46,4% das intenções de voto e, Lula, 46,2% no 2º turno.
Os resultados acenderam um alerta na campanha petista, que procura explorar o caso Dark Horse para fragilizar Flávio. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência e integrante do núcleo duro da campanha, Guilherme Boulos (PSol), classificou o caso como um “grande esquema de lavagem de dinheiro para a família Bolsonaro, tendo Flávio como pivô, cobrador e beneficiário”.
Entenda a crise no STF
- A tensão no Supremo escalonou a partir da divulgação de mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na semana passada. Desde então, dois ministros da Corte, André Mendonça e Alexandre de Moraes, pedem investigações um contra o outro por suas condutas.
- Mendonça retirou o sigilo de autos do caso Master. Os documentos que vieram a público indicam que Moraes mantinha conversas com Vorcaro.
- O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, considerou haver “fortes indícios” de abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça na condução de processos das operações Sem Desconto e Compliance Zero, da PF, e encaminhou o caso ao presidente da Corte, Edson Fachin, no âmbito do Inquérito das Fake News.
- Na terça-feira (8/9), Mendonça considerou que relatórios da PF utilizados por Moraes na decisão eram de “superlativa gravidade e ilicitude” e determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
- Segundo a decisão de Mendonça, o diretor-geral da PF encaminhou a Moraes ao menos seis “relatórios de inteligência” produzidos, de forma sigilosa, entre 3 e 31 de agosto de 2026. A peça aponta que o próprio André estava sendo monitorado ilicitamente por parte da inteligência policial há mais de 30 dias.
- Na quarta-feira (9/9), Flávio Dino julgou um recurso de Andrei e determinou a reintegração dele e de Leandro Almada aos respectivos cargos na Polícia Federal. No mesmo dia, Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e de Dino envolvendo o comando da PF e determinou que o impasse seja levado ao plenário da Corte.
Mendonça como alvo
Em outra frente, aliados defendem intensificar as críticas ao ministro André Mendonça. A estratégia é usar a operação autorizada por Dino para questionar a atuação do ministro em relação ao caso.
Isso porque o financiamento de Dark Horse é alvo de duas investigações distintas na Suprema Corte. A Operação Make Up é um desdobramento do inquérito relatado por Flávio Dino, que apura o possível uso irregular de emendas parlamentares e de recursos públicos destinados a entidades e empresas ligadas à produtora responsável pelo filme.
A outra frente, sob relatoria de André Mendonça, investiga os repasses realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso e ex-dono do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro, além do caminho percorrido pelos recursos. Embora as duas investigações contribuam para esclarecer diferentes etapas do caso, elas são juridicamente independentes.
Depois que Lula veio a público se manifestar, na quarta-feira (9/9), cobrando a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master e criticando vazamentos seletivos, aliados do presidente passaram a fazer o mesmo.
O secretário de Comunicação do PT e um dos coordenadores da campanha de Lula, Éden Valadares, afirmou, em publicação nas redes sociais, que a condução dos processos “claramente tenta influenciar as eleições brasileiras ao proteger o candidato bolsonarista à Presidência da República”. Éden classificou ainda as atitudes de Mendonça de “tentativa de intromissão institucional”.
“Na minha opinião, ou o STF abre o sigilo e mostra ao Brasil os segredos ocultos sobre Flávio Bolsonaro, ou a integridade da eleição está comprometida. É preciso revelar toda a verdade sobre o candidato suspeito, ou em suspeita ficará a postura da Justiça e a condução das eleições”, disse.
Ações
Em reação, o PT protocolou duas ações no Supremo que pedem a derrubada do sigilo das investigações sobre o caso Master. As peças são direcionadas aos ministros André Mendonça e Flávio Dino. A legenda argumenta que “vazamentos seletivos” e “descontextualizados” influenciam o debate eleitoral a menos de um mês para o primeiro turno do pleito.
Na avaliação do partido, a divulgação fragmentada de trechos da investigação resulta em um desequilíbrio político entre os candidatos. A defesa alega ainda que Lula é “diretamente atingido” pelo vazamento de informações.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Milena Teixeira, outra frente de aliados do titular do Planalto defendem que os desdobramentos do caso Master fiquem exclusivamente a cargo do STF.
A avaliação é que, após as medidas já protocoladas para que os ministros Dino e Mendonça avaliem a quebra do sigilo, a campanha deve deixar o tema nas mãos da Corte e concentrar seus esforços em pautas como saúde, educação e economia e na ofensiva contra Flávio Bolsonaro.
















