Derrotas e crise com Senado marcam início de Guimarães na articulação

Governo sofre reveses no Congresso e vê articulação política ser colocada à prova logo no início da gestão de José Guimarães na SRI

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1 de 1 lula-e-guimaraes-posse - Foto: LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

Duas semanas após tomar posse na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência (SRI), o ministro José Guimarães (PT-CE) já precisou lidar com as principais derrotas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano.

Em menos de 24 horas, o Palácio do Planalto sofreu dois reveses articulados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o que ampliou as tensões entre Executivo e Legislativo. À frente da pasta, a missão de Guimarães é justamente melhorar a relação entre os dois Poderes, abalada desde o ano passado.

A maior derrota foi a rejeição do nome de Jorge Messias para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Nessa quarta-feira (29/4), o Senado Federal impôs ao presidente da República uma revés que não era registrado desde 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.

O chefe da Advocacia-Geral da União chegou a ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por 16 votos favoráveis e 11 contrários, após mais de oito horas de sabatina. No entanto, no plenário, o resultado foi amplamente desfavorável: 42 votos contrários e 34 favoráveis. Para ser aprovado ao STF, o indicado precisava do apoio de ao menos 41 dos 81 senadores — maioria absoluta.

Novo capítulo na crise

O episódio abriu um novo capítulo na crise entre o governo Lula e o presidente do Senado. Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Milena Teixeira, Alcolumbre teria ligado para outros senadores enquanto a sabatina do indicado ocorria na CCJ.

Segundo relatos, a orientação foi para que votassem contra Messias. Horas antes da votação em plenário, o presidente do Senado teria afirmado a parlamentares que o dia seria “histórico”.

Alcolumbre nunca escondeu a resistência ao nome do advogado-geral da União, pois defendia que o escolhido por Lula para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso no STF fosse o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Derrota surpreendeu o governo

O resultado surpreendeu o governo, que, embora previsse uma disputa apertada, não esperava uma derrota tão expressiva. Guimarães e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), passaram a ser alvo de críticas entre governistas.

Nos bastidores, a avaliação é de que houve falhas na articulação e no mapeamento da ofensiva liderada por Alcolumbre. Internamente, avalia-se que o alto escalão subestimou o risco de derrota e ignorou sinais de mobilização do presidente do Senado.

Minutos antes da divulgação do resultado, Guimarães se reuniu com Lula no Palácio da Alvorada. Ao chegar, questionado por jornalistas sobre o risco de derrota, negou: “Vitória. Só vitória”, afirmou. Mais cedo, Jaques Wagner também esteve no local e teria garantido ao presidente que a aprovação de Messias estava assegurada.

Havia no governo a expectativa de que Guimarães construísse uma boa relação com Alcolumbre, que compareceu à sua posse no Palácio do Planalto, em 14 de abril.

Na ocasião, o presidente do Senado elogiou o ministro por ter desistido da candidatura ao Senado pelo Ceará para assumir o cargo, gesto visto como lealdade a Lula. O próprio Guimarães destacou o prestígio da cerimônia, afirmando que nenhuma outra posse de ministros havia sido tão concorrida.


Reação do governo

  • Pego de surpresa, até o momento o presidente não reagiu ao revés do Senado.
  • Uma ala do governo defende retaliar com a demissão de chefes de órgãos públicos indicados por Alcolumbre e parlamentares que votaram contra o atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU). Outro grupo avalia que é necessário aguardar os ânimos se acalmarem antes de anunciar uma resposta.
  • A derrota ocorreu cinco meses após o anúncio da indicação de Messias. Lula adiou o envio da mensagem ao Senado, que dá o pontapé para a apreciação do indicado, por receio de que o nome fosse reprovado pelos parlamentares.
  • Agora, Lula avalia se enviará um novo nome para preencher a cadeira deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso na Suprema Corte.
  • Aliados do petista têm defendido que o presidente finalmente indique uma mulher para a vaga, como uma estratégia para constranger senadores caso a nomeção seja barrada.

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Ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães enviou recado do governo ao Senado após rejeição de Messias
Ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães
José Guimarães enviou recado do governo ao Senado após votação que rejeitou Messias para o STF
Presidente Lula durante cerimônia de posse do Ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães
Ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães
Davi Alcolumbre, Hugo Motta e José Guimarães
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José Guimarães enviou recado do governo ao Senado após votação que rejeitou Messias para o STF
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Presidente Lula durante cerimônia de posse do Ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães
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A volta da Dosimetria

Menos de 24 horas após a derrota de Messias, o governo enfrentou um novo revés: a derrubada, nessa quinta-feira (30/4), pelo Congresso Nacional, do veto de Lula ao Projeto de Lei da Dosimetria, que trata das penas para condenados pelos atos do 8 de Janeiro. O texto abre caminho para a redução da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Diferentemente da rejeição de Messias, a derrubada do veto já era esperada pelo governo.

Na Câmara, foram 318 votos a favor da derrubada, 144 contrários e 5 abstenções. No Senado, o placar foi de 49 votos favoráveis e 24 contrários.

Durante a sessão conjunta, Alcolumbre decidiu considerar prejudicados trechos do projeto que flexibilizariam regras de progressão de regime para outros crimes além dos relacionados ao 8 de Janeiro, evitando conflito com o chamado PL Antifacção, que endurece essas normas.

Assim, o Congresso derrubou a maior parte dos vetos de Lula, preservando apenas dispositivos que poderiam beneficiar condenados por crimes como feminicídio, milícia e crimes hediondos. Permanecem, portanto, as regras mais rígidas da Lei Antifacção, que exigem o cumprimento de ao menos 70% da pena para progressão de regime nesses casos.

A manobra do presidente do Senado atendeu a um pedido de líderes da oposição, que buscaram manter o endurecimento penal para crimes graves, ao mesmo tempo em que apoiaram a flexibilização das penas para os envolvidos no 8 de Janeiro.

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo STF em 2025. Pela legislação anterior, poderia progredir ao regime semiaberto apenas em 2033. Com a mudança, o tempo de reclusão pode ser reduzido para cerca de três anos e três meses.

Em resposta, a bancada do PT na Câmara dos Deputados prepara uma ação no STF para tentar barrar os efeitos do projeto. A iniciativa deve questionar a constitucionalidade de trechos que alteram o cálculo das penas no Código Penal e que, na avaliação de parlamentares, enfraquecem a legislação de proteção ao Estado democrático de Direito.

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