Delegado da PF chama Salles de bandido. “Fala pra ele me processar”

O delegado Alexandre Saraiva, afastado da chefia da superintendência da PF no Amazonas após denunciar o então ministro, voltou a atacá-lo

atualizado 16/04/2022 18:13

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Continua bem aberta a ferida da briga entre o delegado Alexandre Saraiva, da Polícia Federal, e o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Removido do cargo de superintendente da PF no Amazonas no ano passado, após denunciar o então ministro por tentativa de embaraçar uma grande apreensão de madeira ilegal na Amazônia, Saraiva chamou Salles de “bandido” em discussão nas redes sociais neste feriadão e ainda o desafiou a processá-lo.

“Tem uma coisa chamada ‘exceção da verdade’ que usarei em minha defesa”, escreveu Saraiva no Twitter, neste sábado (16/4).

Esse instrumento, segundo glossário jurídico do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), é um “meio de defesa que se faculta ao acusado por crime de calúnia ou de difamação de funcionário público, no exercício das funções, para provar o fato atribuído por ele à pessoa que se julga ofendida e o processou por isso”.

Saraiva chamou Salles de bandido ao discutir com outro internauta nessa sexta (15/4) e, neste sábado, resolveu reafirmar sua acusação. Veja a postagem:

Salles, que tenta viabilizar uma candidatura ao Senado por São Paulo, não havia reagido à provocação de Saraiva até a publicação desta reportagem.

Histórico da briga

Em abril do ano passado, Saraiva acusou o então ministro do Meio Ambiente de montar “fraude” para tentar iludir os policiais, se utilizando de uma “pseudoperícia” na madeira que havia sido apreendida em operação da PF.

Segundo o delegado, de 40 mil toras apreendidas na Operação Akuanduba, o ministro olhou duas, disse que conferiu a apreensão e afirmou que estava tudo certo e que os proprietários apresentaram escrituras.

Ao falar em uma audiência pública na Câmara, na época, Saraiva afirmou que o ministro participou diretamente de uma reunião da qual saiu um conjunto de documentos apresentados à polícia com o objetivo de demonstrar a legalidade da madeira apreendida.

“Quando eu vi aquele conjunto de documentos que saíram de uma reunião organizada, ou pelo menos, com a participação direta do ministro, aquilo se mostrou uma fraude imensa, na qual se buscava iludir a autoridade policial. Entendi que o correto seria encaminhar a notícia-crime ao STF apontando aquele fato”, disse Saraiva.

Mordaça

Em março deste ano, em entrevista à coluna de Guilherme Amado, no Metrópoles, Saraiva disse ser vítima de uma “mordaça” na corporação. O delegado é alvo de um processo disciplinar na PF por ter dado entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em junho do ano passado.

“Tudo o que os criminosos mais poderosos desejam é uma polícia amordaçada. A sociedade precisa nos ouvir e nós precisamos falar. Sempre com profissionalismo e respeito ao sigilo necessário ao trabalho policial. Trata-se de verdadeira mordaça para os policiais, que contraria decisão do STF”, afirmou o delegado.

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