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Brasil

Defesa de militar que xingou skatista negro alega "frase infeliz"

Oficial da Marinha Joanesson Stahlschmidt, de 36 anos, foi preso em flagrante após chamar Jagner Macedo de "preto de merda"

05/09/2022 18:04
Reprodução/ Redes sociais
Defesa de militar que xingou skatista negro alega “frase infeliz”

A advogada Ruth Wagner, que assumiu nesta segunda-feira (5/9) a defesa do oficial da Marinha Joanesson Stahlschmidt – preso em flagrante por injúria racial – afirmou que o cliente dela foi “intimidado” pela vítima, o professor de surfskate Jagner Macedo Santos, antes de xingá-la de “preto de merda”.

“Nosso cliente foi intimidado pelo professor e pelos demais skatistas. A edição do vídeo altera a ordem cronológica dos fatos. Foi somente após a provocação que, em um ato impensado e do qual se arrepende, o nosso cliente disse a infeliz frase”, disse a advogada, em nota.

Em um primeiro momento, o oficial da Marinha alegou, em depoimento, não se lembrar se disse algo ofensivo para o professor de surfskate.

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Stahlschmidt foi preso em flagrante por injúria racial, na última sexta-feira (3/9), após chamar Santos de “preto de merda”. O ataque aconteceu em meio a uma discussão no Parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo. A ofensa foi gravada em vídeo, apesar de o capitão-tenente não se lembrar.

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“No depoimento, ele [Stahlschmidt] disse que não sabe se falou algo para o rapaz [Santos]”, afirmou o advogado da vítima, Luciano Santoro, em conversa com o Metrópoles.

O advogado também contou que a própria vítima, após ser xingada, impediu que o agressor fosse linchado. Isso porque pessoas que presenciaram a ofensa reagiram aos ataques.

O oficial da Marinha teria se sentido incomodado após ser instruído a pedalar na ciclofaixa, e não em um trecho próprio a skatistas. Vídeos que circulam em redes sociais mostram o momento em que Jagner é chamado de “preto de merda”.

Confira:

Ao Metrópoles, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSPSP) informou, em nota, que o capitão-tenente foi preso em flagrante por injúria racial.

“As partes foram conduzidas ao 17º DP [Distrito Policial] e a vítima representou criminalmente contra o autor, que foi autuado em flagrante e entregue à equipe da Marinha”, afirmou a pasta.

A autoridade policial também oficiou o Comando do 8º Distrito Naval e determinou a apresentação do preso à Justiça, para realização da audiência de custódia.

“O racismo no Brasil não é praticado de forma velada, mas sim escancarada, e hoje o que era pra ser apenas mais uma tarde em um dos maiores parques nacionais, o Parque do Ibirapuera, fui vítima de racismo por um oficial da Marinha”, relatou Jagner.

“Olha que controvérsia não é mesmo? Logo de um oficial da marinha, no qual foi ensinado os princípios morais de ética, comportamento e atuação profissional quanto pessoal”, acrescentou.

Em nota, a Marinha do Brasil afirmou não corroborar com o ocorrido e reiterou o firme repúdio a “quaisquer atos de intolerância, prezando para que os preceitos da conduta ético-militar sejam mantidos por seus integrantes dentro e fora de suas organizações”.