Defesa de militar que xingou skatista negro alega "frase infeliz"
Oficial da Marinha Joanesson Stahlschmidt, de 36 anos, foi preso em flagrante após chamar Jagner Macedo de "preto de merda"

A advogada Ruth Wagner, que assumiu nesta segunda-feira (5/9) a defesa do oficial da Marinha Joanesson Stahlschmidt – preso em flagrante por injúria racial – afirmou que o cliente dela foi “intimidado” pela vítima, o professor de surfskate Jagner Macedo Santos, antes de xingá-la de “preto de merda”.
“Nosso cliente foi intimidado pelo professor e pelos demais skatistas. A edição do vídeo altera a ordem cronológica dos fatos. Foi somente após a provocação que, em um ato impensado e do qual se arrepende, o nosso cliente disse a infeliz frase”, disse a advogada, em nota.
Em um primeiro momento, o oficial da Marinha alegou, em depoimento, não se lembrar se disse algo ofensivo para o professor de surfskate.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasStahlschmidt foi preso em flagrante por injúria racial, na última sexta-feira (3/9), após chamar Santos de “preto de merda”. O ataque aconteceu em meio a uma discussão no Parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo. A ofensa foi gravada em vídeo, apesar de o capitão-tenente não se lembrar.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“No depoimento, ele [Stahlschmidt] disse que não sabe se falou algo para o rapaz [Santos]”, afirmou o advogado da vítima, Luciano Santoro, em conversa com o Metrópoles.
O advogado também contou que a própria vítima, após ser xingada, impediu que o agressor fosse linchado. Isso porque pessoas que presenciaram a ofensa reagiram aos ataques.
O oficial da Marinha teria se sentido incomodado após ser instruído a pedalar na ciclofaixa, e não em um trecho próprio a skatistas. Vídeos que circulam em redes sociais mostram o momento em que Jagner é chamado de “preto de merda”.
Confira:
Ao Metrópoles, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSPSP) informou, em nota, que o capitão-tenente foi preso em flagrante por injúria racial.
“As partes foram conduzidas ao 17º DP [Distrito Policial] e a vítima representou criminalmente contra o autor, que foi autuado em flagrante e entregue à equipe da Marinha”, afirmou a pasta.
A autoridade policial também oficiou o Comando do 8º Distrito Naval e determinou a apresentação do preso à Justiça, para realização da audiência de custódia.
“O racismo no Brasil não é praticado de forma velada, mas sim escancarada, e hoje o que era pra ser apenas mais uma tarde em um dos maiores parques nacionais, o Parque do Ibirapuera, fui vítima de racismo por um oficial da Marinha”, relatou Jagner.
“Olha que controvérsia não é mesmo? Logo de um oficial da marinha, no qual foi ensinado os princípios morais de ética, comportamento e atuação profissional quanto pessoal”, acrescentou.
Em nota, a Marinha do Brasil afirmou não corroborar com o ocorrido e reiterou o firme repúdio a “quaisquer atos de intolerância, prezando para que os preceitos da conduta ético-militar sejam mantidos por seus integrantes dentro e fora de suas organizações”.


