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Brasil

Datafolha: 52% veem tarifaço ao Brasil como ajuda de Trump a Flávio

Para a maioria dos brasileiros, as taxas impostas pelo governo norte-americano às exportações brasileiras têm como objetivo favorecer Flávio

27/07/2026 06:04, atualizado 27/07/2026 06:24
Divulgação/Flávio Bolsonaro
Senador Flávio Bolsonaro ao lado do presidente Donald Trump, na Casa Branca

Pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta segunda-feira (27/7) revela que a maioria do eleitorado brasileiro interpreta o tarifaço de 37,5% imposto ao Brasil pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como um gesto de apoio político direto ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República .

Para 52% dos entrevistados, as taxas impostas pelo governo norte-americano às exportações brasileiras têm como objetivo favorecer o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em contrapartida, 37% dos eleitores discordam dessa avaliação e 11% afirmaram não saber opinar.

A percepção sobre a interferência de Trump no cenário político do Brasil internacional divide-se acentuadamente de acordo com a preferência política do eleitor. Entre os apoiadores que declaram voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a imensa maioria — 73% — enxerga intenção eleitoral na sobretaxa norte-americana.

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Por outro lado, entre os simpatizantes de Flávio, a tese do favorecimento é aceita por apenas 29% da base.

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O levantamento do Datafolha foi realizado entre os dias 22 e 23 de julho, ouvindo 2.004 pessoas com mais de 16 anos em diversas regiões do país. A amostragem conta com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança estatística de 95%.

Novo tarifaço

A escalada do protecionismo começou na última quarta-feira (22/7), quando entrou em vigor uma tarifa inicial de 25%. O governo norte-americano justificou a medida alegando a existência de “práticas desleais” de mercado que estariam prejudicando a competitividade das empresas e exportadores dos EUA.

Em nota divulgada após o anúncio norte-americano, o governo brasileiro repudiou a imposição da nova tarifa, prometeu reciprocidade, retrucou a versão de Marco Rubio e classificou a medida dos EUA como um “enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”.

Sem dar margem para recuperação, uma taxa adicional de 12,5% foi anunciada no dia seguinte (23/7) e já passou a valer na sexta-feira (24/7). Dessa vez, a justificativa mudou de tom, acusando o país de não combater adequadamente o trabalho forçado em suas cadeias produtivas.

Relação entre Flávio e as tarifas

Em junho, Flávio Bolsonaro publicou uma foto ao lado de Trump após uma reunião na Casa Branca. No mesmo dia, os EUA propuseram uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Apesar do discurso de “negociação das tarifas”, o senador defendeu que o tarifaço aos produtos brasileiros seja adiado para depois das eleições brasileiras, por a medida dos EUA poderia favorecer eleitoralmente o presidente Lula.

Em entrevista a jornalistas após a audiência, o senador recuou e passou a dizer que defende o cancelamento do tarifaço, e não o adiamento. “Quem quer a tarifa é o Lula, então a gente tem que usar os argumentos políticos aqui. [Quero] cancelamento, eu não quero tarifa para o Brasil. Só quem quer tarifa é o Lula”.

No dia da aplicação das tarifas, Flávio endossou a publicação em que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, responsabiliza o presidente Lula pelo tarifaço de 25%. “Estamos em um avião sem piloto”, disparou Flávio.