“Cura Covid”: homem investigado por distribuir remédios caseiros em GO

Segundo autoridades, fórmulas são de fabricação caseira, sem comprovação científica e eram entregues a pacientes contaminados pela doença

atualizado

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Reprodução/TV Anhanguera
goias homem promete cura da covid
1 de 1 goias homem promete cura da covid - Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Goiânia – Um homem promete curar em até 12 horas pessoas diagnosticadas com Covid-19. Mas por causa da promessa, ele está sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) e pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), pela suspeita de criar e distribuir substâncias desconhecidas aos pacientes com a doença.

O suspeito, identificado como Cláudio Cardoso, mora no município de Palmeiras de Goiás, a cerca de 70 km da capital goiana e, de acordo com ele, o tratamento é distribuído de forma gratuita. Na segunda-feira (29/3), ele teria se dirigido ao Hospital Municipal da cidade, onde entregou o kit com a medicação para um paciente.

Segundo o diretor da unidade de saúde, Tarciso Liberte Romão Borges Júnior, uma enfermeira descobriu as substâncias e entregou o material ao médico. De acordo com ele, após a apreensão da medicação, Cláudio voltou a unidade, se identificou como criador das fórmulas e as exigiu de volta.

“Eu decidir recolher e mandar para análise porque não tem rótulo, nada que identifique o que seja. No fim do dia, ele foi à unidade e brigou com as enfermeiras porque queria a medicação”, disse Borges Júnior ao G1.

À TV Anhanguera, o suspeito informou que a suposta cura da Covid-19 se daria após o consumo de cápsulas de um líquido produzido de forma caseira, mas que não tiveram as matérias-primas reveladas pelo homem. O material, que foi encontrado escondido na marmita de um paciente contaminado pela doença, foi recolhido e guardado para análise.

Acionado, o Ministério Público de Goiás (MPGO) também deve atuar no caso. Conforme o promotor de Justiça Eduardo Prego, deve ser solicitado às autoridades em saúde que avaliem as substâncias usadas para descobrir do que se trata.

“A conduta praticada por ele pode ser de charlatanismo, estelionato e curandeirismo. Vamos verificar se ele aferia vantagem econômica em ministrar esses medicamentos”, afirmou o promotor.

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Material cedido ao Metrópoles
Tratamento sem eficácia

No entanto, apesar da substância feita por Cardoso não ter tido a composição divulgada,  não há comprovação científica sobre a eficácia do chamado tratamento precoce contra a Covid-19, assim como do uso dos medicamentos sugeridos na nota para o combate à doença. A eficácia de um tratamento é comprovada com estudos científicos que usam metodologia rigorosa.

Dessa forma, de acordo com os cientistas, são necessárias duas características principais: randomização (escolha aleatória dos pacientes) e ser duplo-cego (nem os médicos nem os pacientes podem saber quem está recebendo o remédio ou o placebo).

Além disso, os resultados devem ser publicados em revista científica, após revisão e análise dos dados por profissionais especialista no assunto. As pesquisas que seguiram essas regras não mostraram benefício na aplicação de tratamento precoce para pacientes infectados pelo coronavírus.

Sem efeito

Estudo global da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em outubro, concluiu que os resultados do uso de hidroxicloroquina e três antivirais no tratamento contra a Covid-19 “pareceram ter pouco ou nenhum efeito no [paciente com] Covid-19 hospitalizado”.

Neste mês de março, a Associação Médica Brasileira (AMB) divulgou um boletim condenando o uso de remédios sem eficácia contra a Covid-19.

“Reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da COVID-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida”, diz o texto da AMB.

No documento, a entidade cita 13 pontos para enfrentamento da pandemia e reforça a necessidade de prevenção da Covid-19. Entre eles estão acelerar a vacinação, manter o isolamento social, o uso de máscaras e a necessidade de ação das autoridades para solucionar a falta de medicamentos no atendimento de pacientes internados com a doença.

Presidente

Em reunião com os integrantes dos poderes Legislativo e Judiciário, governadores e ministros, na última quarta-feira (24/3), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender o tratamento precoce contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. A medida, contudo, não tem eficácia científica comprovada.

“A intenção é de nos dedicarmos cada vez mais à vacinação em massa. Tratamos também da possibilidade de tratamento precoce”, afirmou Bolsonaro.

O presidente ainda ressaltou: “Cada vez mais nos preocupamos em dar tratamento adequado. Não temos ainda remédio, mas nossa união, nosso esforço entre os Três Poderes da República. Creio que este seja o caminho para brasil sair dessa situação complicada”, concluiu.

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