Cúpula do Senado vê sabatina rápida de Messias, mas cita risco
Advogado-geral da União foi escolhido pelo presidente Lula como indicado ao STF para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso

Interlocutores de Davi Alcolumbre (União-AP) dizem que não há predisposição do presidente do Senado para travar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Esse grupo prevê uma sabatina rápida e unânime na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas cita risco de rejeição quando o nome do jurista for submetido ao plenário.
Como mostrou o colunista Igor Gadelha, no Metrópoles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) bateu o martelo nesta quinta-feira (16/10) e deve anunciar em breve a escolha de Messias. Ele será indicado à vaga do ministro Luís Roberto Barroso, que antecipou a aposentadoria e deixará a Corte neste sábado (18/10). A preferência do Senado, porém, é a indicação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente da Casa.
O temor do Planalto era que a indicação de Messias fosse tratada por Alcolumbre da mesma maneira que a de André Mendonça. Indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2021, o atual ministro do STF levou um chá de cadeira de quatro meses até ser sabatinado e aprovado para o assento na Corte. Na ocasião, a cúpula do Senado não gostou da indicação do então advogado-geral.
Messias é um nome de confiança de Lula, mas desperta ressentimento em uma ala do Congresso. Foi o advogado-geral, segundo fontes palacianas, que orientou o presidente a acionar o STF contra a derrubada do reajuste do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Na ocasião, uma ala política do governo defendia o contrário, temendo comprar uma nova briga com o Congresso, como ocorreu.
A ação rendeu frutos no STF. O relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, acolheu a manutenção da maior parte do decreto do governo, numa decisão que gerou expectativa de arrecadação de R$ 11,5 bilhões. O embate político também foi positivo e rendeu uma inédita vitória da esquerda sobre Centrão e oposição nas redes.
Apesar de nomes próximos citarem que Alcolumbre não deve travar a indicação, não há indicativo de que o presidente do Senado vai ajudar. O risco de rejeição no plenário existe, segundo esse grupo. Se ocorrer, seria a primeira negativa do Senado, na história da República, a um indicado do presidente ao STF. E o Planalto acredita que essa tendência se manterá.
Rito
A Constituição prevê que, com vacância no STF, o presidente da República envie ao Senado uma mensagem com o nome do indicado à Suprema Corte. Essa indicação precisa passar por uma sabatina na CCJ, onde parlamentares podem questioná-la.
Uma vez aprovado na CCJ, o indicado terá o nome submetido ao plenário do Senado, onde precisa da maioria absoluta dos votos. Ou seja, Messias precisa conquistar 41 dos 81 senadores.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todas













