Crivella: desembargadora diz que defesa ignora “crimes do colarinho branco”

O Superior Tribunal de Justiça havia solicitado esclarecimentos à magistrada que determinou prisão do prefeito afastado do Rio de Janeiro

atualizado 26/12/2020 16:12

QG da propina crivella rio de janeiro prisãoWILTON JUNIOR/ESTADAO CONTEUDO

A desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita, responsável por determinar a prisão prefeito afastado do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), enviou, na quarta-feira (23/12), esclarecimentos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a decisão.

Rosa diz que se baseou em “fatos recentemente ocorridos e absolutamente documentados nos autos” e que a argumentação da defesa de Crivella se trata de querer fazer vista grossa aos “crimes de colarinho branco”.

O presidente do STJ, ministro Humberto Martins, havia solicitado à desembargadora que prestasse esclarecimentos acerca da decisão.

No despacho de 11 páginas, Rosa Helena fez um apanhado de todas as provas existentes contra Crivella no suposto “QG da Propina“, esquema de pagamento de propina na Prefeitura do Rio. Na ocasião, a desembargadora ainda reiterou ao STJ que a prisão preventiva era necessária porque o prefeito teria atuado para obstruir as investigações.

Citando os principais episódios que fundamentaram a prisão de Crivella, a desembargadora conclui: “Trata-se, portanto, de fundamentos concretos e objetivos, todos eles calcados em fatos recentemente ocorridos e absolutamente documentados nos autos, não havendo que se falar em ilações, presunções ou em antecipação de pena, como alegam os impetrantes”.

Rosa Helena Macedo também diz ao STJ que apenas a prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica pode ser insuficiente para impedir que Marcelo Crivella cometa novos crimes. “Logo, afirmar que não há risco à ordem pública, s.m.j. (salvo melhor juízo), é querer fechar os olhos à realidade dos chamados crimes do ‘colarinho branco'”.

A defesa de Crivella não se manifestou sobre o despacho da desembargadora.

Prisão de Crivella

Por determinação da desembargadora Rosa Helena Macedo, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, foi preso na manhã de terça-feira (22/12) acusado pelo Ministério Público (MPRJ) de chefiar o chamado “QG da Propina”. No mesmo dia, o presidente do STJ deferiu liminar e substituiu a prisão preventiva do político pelo regime domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica.

Além da prisão e afastamento da Prefeitura do Rio de Janeiro, Crivella está proibido de manter contato com terceiros, terá de entregar seus telefones, computadores e tablets às autoridades e não poderá sair de casa sem autorização.

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