Onyx nega conhecer “Careca do INSS” e admite problema com descontos
Onyx Lorenzoni atuou como ministro do Trabalho e Previdência Social na gestão de Jair Bolsonaro (PL)
atualizado
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Onyx Lorenzoni, ex-ministro do Trabalho e Previdência Social na gestão de Jair Bolsonaro (PL), admitiu, em depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que o problema dos descontos indevidos era algo “recorrente”, mas dentro de diversos governos. Ele foi ouvido pelos parlamentares nesta quinta-feira (6/11), quando também afirmou não conhecer o “Careca do INSS”.
CPMI do INSS quer acareação entre o “Careca do INSS” e Eli Cohen
O depoimento de Onyx começou às 10h46, teve uma pausa de 1h e foi retomados às 14h15. Terminou por volta das 19h40.
Inicialmente, ele apresentou o trabalho feito à frente do ministério do Trabalho, onde ficou oito meses. E negou qualquer participação na farra do INSS. Logo em seguida, respondeu aos questionamentos dos parlamentares.
“O problema com descontos associativos era recorrente. Tem denúncias de problemas com acordos ou com procedimentos, nos mais diferentes governos desde 2010, registrados pela imprensa”, afirmou.
O “Careca do INSS” é um dos principais personagens da farra no INSS (leia abaixo). O lobista é acusado de associações ligadas à farra dos descontos sobre aposentadorias do INSS para conseguir entrar ou obter vantagens dentro do órgão federal. Antônio Carlos Camilo Antunes é ex-superintendente de marketing de uma gigante do ramo de planos de saúde.
Farra do INSS
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23 de abril deste ano e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), questionou Onyx sobre o porquê de entidades terem realizado 50 mil inclusões de descontos indevidos entre 2016 e 2024.
“O INSS é uma autarquia autônoma. Houve uma particularidade desde a minha nomeação, em 27 de julho, até a minha saída, em 30 de março. Toda a estrutura de Conjur, de diretoria de Controle Externo, tudo isso estava no Ministério da Economia”, respondeu o ex-ministro, negando que soubesse a razão das inclusões em massa.
Como o Metrópoles mostrou em setembro, um filho do ex-ministro Onyx, o advogado Pietro Lorenzoni atuou para uma das entidades suspeitas pela farra dos descontos indevidos sobre aposentadorias pelo INSS.
Sobre essas questão, ele explicou: “Ele (filho) tem um escritório que trabalha com clientes. Na época em que essas coisas aconteceram, ele não tinha a menor ideia. E, se o senhor (relator da CPMI) desejar, ele pode mandar para o senhor quanto ele ganhava, quanto era cada contrato. E não era ele. Eram três advogados. Foi contratado o escritório, e não especificamente o meu filho. Nós não tememos nada disso”.
Ony também disse que o contrato do escritório do filho com a entidade suspeita ocorreu antes de ele ser ministro.
Todos os ministros do Trabalho e Previdência desde 2015 vão depôr à CPMI do INSS.











