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Filho de ex-ministro de Bolsonaro atuou para entidade da Farra do INSS

Advogado Pietro Lorenzoni prestou serviços à Unibap, ligada a empresários, que acumula condenações por descontos indevidos na farra do INSS

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O ex-ministro Onyx Lorenzoni
1 de 1 O ex-ministro Onyx Lorenzoni - Foto: Marcos Corrêa/PR

Filho do ex-ministro da Previdência Social Onyx Lorenzoni (Progressistas), o advogado Pietro Lorenzoni atuou para uma das entidades suspeitas pela farra dos descontos indevidos sobre aposentadorias pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A União Brasileira de Aposentados da Previdência (Unibap) firmou seu acordo em abril de 2021, quando Lorenzoni era chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República de Jair Bolsonaro (PL). Ele assumiria a Previdência em julho daquele ano.

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Filho de ex-ministro Onyx Lorenzoni atou para a Unibap, investigada pela farra do INSS
PF deflagrou a Operação Sem Desconto em abril deste ano
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Filho de ex-ministro Onyx Lorenzoni atou para a Unibap, investigada pela farra do INSS

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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O nome de Pietro aparece em documentos da associação entregues pelo INSS à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a farra dos descontos indevidos, revelada pelo Metrópoles.

O advogado afirma que seu escritório “prestava serviços em direito administrativo”. “Na prática, auxiliávamos a Unibap com redações de atas de assembleias deliberativas, ofícios e minutas em geral”. Diz ter sido chamado a atuar por uma ex-professora de faculdade.

Cliente de Pietro, a Unibap faturou R$ 180 milhões com descontos sobre aposentadorias. É sediada em Águas Claras, no Distrito Federal, mas acumula condenações por descontos indevidos em processos movidos por aposentados que dizem nunca terem se filiado a ela em todo o país.

A associação também teve o sigilo quebrado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e foi escrutinada pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Somente na Justiça de São Paulo, sofreu condenações mais recentes nas cidades de Serrana, Jaú e Sorocaba. Nesses processos, tem juntado fichas de filiação de aposentados com assinaturas que são questionadas pelos “filiados”.

Como a entidade costuma não pagar honorários de perícia para atestar a validade das assinaturas, tem sido condenada a indenizar os idosos.

Como mostrou o Metrópoles, apesar de ser presidida por um aposentado, a Unibap é ligada aos empresários Gutemberg Tito e Zacarias Canuto Sobrinho, donos de clubes de benefícios que, do mesmo modo, sofrem condenações por descontos indevidos. Eles também são donos de correspondentes de crédito consignado e foram diretores estatutários da Unibap.

Questionado sobre quem participava das reuniões cujas atas lavrou, o advogado afirmou que não participava desses encontros e fazia apenas proposta de “minutas de convocação, assembleias e ofícios”. “Nós analisávamos diligências, fazíamos propostas e encaminhávamos para o administrativo”. “Os serviços terminaram em junho de 2023”, afirmou.

A CGU foi à entidade e notou que ela vende clubes de benefícios. Na visita à sua sede, nenhum documento comprobatório de filiações foi entregue aos auditores. Funcionários disseram que eles ficavam armazenados em um storage em São Paulo.

Em entrevistas feitas com aposentados filiados à entidade, 100% negaram a auditores da CGU ter firmado qualquer contrato com a Unibap.

Em um processo interno no INSS, a entidade chegou a ser questionada sobre o crescimento de seus filiados. Em um ato falho, acabou anexando, sem querer, como prova das filiações, diversas fichas assinadas por aposentados para aderir à Abenprev.

Em um ofício ao INSS, a presidente formal da entidade chegou a pedir ao órgão para poder filiar aposentados pelo telefone – o que é proibido. Telefonemas de outras associações para comprovar filiações estão sob suspeita de terem sido editados para fazer parecer que aposentados diziam “sim” às entidades.

Hoje em dia, a Abenprev mudou de nome para Ampaben. Ela faturou R$ 83 milhões com descontos indevidos.

Pietro tem se notabilizado nos últimos anos por atuar por uma associação do lobby das casas de apostas em Brasília. Também foi contratado pelo PL por R$ 200 mil, segundo dados do TSE.

Seu pai foi convocado a depôr na CPMI como ex-chefe da Previdência. Ele recebeu R$ 60 mil do ex-presidente de outra entidade, a Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), investigada pela Polícia Federal (PF).

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