Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Farra no inssBrasil

CEO do C6 diz discordar de suspensão de empréstimos pelo INSS

Colegiado também aprovou, nesta quinta-feira (19/3), convites para Gabriel Galípolo, presidente do BC, e Roberto Campos Neto

19/03/2026 09:43, atualizado 19/03/2026 18:18
HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 Consignado S.A - Metrópoles

A CPMI que investiga as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ouviu, nesta quinta-feira (19/3), o depoimento de Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 (foto em destaque). Ele presta depoimento na condição de colaborador.

Durante a oitiva, Azevedo disse que discorda “veementemente” da decisão do instituto de suspender a emissão de novos contratos de empréstimos em parceria com o banco.

“Temos convicção de que não praticamos nenhuma irregularidade. Nós cumprimos, sempre rigorosamente, todas as normas estabelecidas. Estamos impedidos de ofertar novos empréstimos consignados pelo INSS e já recorremos ao Judiciário para restabelecer a operação”, declarou Artur  ao colegiado.

Neste momento, o CEO do C6 Bank é inquirido pelos parlamentares. “Qual é o propósito do seu banco? Porque 80% das famílias estão endividadas. O senhor é um mecanismo para ganhar dinheiro de forma pessoal ou para realmente ajudar as pessoas?”, questionou o deputado Luiz Lima (Novo-RJ).

“Eu tenho muito orgulho daquilo que eu faço. Essa população é, de fato, hipervulnerável e está mais ou menos 50% negativada. Se não fosse pelo crédito consignado, essa população não conseguiria, de maneira alguma, ter acesso a crédito dentro do país em que vivemos. Esse é o crédito no qual, muitas vezes, famílias inteiras conseguem se sustentar”, argumentou.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
CEO do C6 diz discordar de suspensão de empréstimos pelo INSS - destaque galeria
8 imagens
Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 Consignado S.A
CPMI do INSS
Senador Carlos Viana (PSD)
CEO do Banco G6 é ouvido como colaborador
Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 Consignado S.A, fala à CPMI do INSS
CEO do C6 diz discordar de suspensão de empréstimos pelo INSS - imagem 1
1 de 8

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 Consignado S.A
2 de 8

Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 Consignado S.A

Reprodução/TV Senado
CPMI do INSS
3 de 8

CPMI do INSS

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
Senador Carlos Viana (PSD)
4 de 8

Senador Carlos Viana (PSD)

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
CEO do Banco G6 é ouvido como colaborador
5 de 8

CEO do Banco G6 é ouvido como colaborador

Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 Consignado S.A, fala à CPMI do INSS
6 de 8

Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 Consignado S.A, fala à CPMI do INSS

Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 na CPMI do INSS
7 de 8

Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 na CPMI do INSS

Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 Consignado S.A, presta depoimento na CPMI do INSS
8 de 8

Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 Consignado S.A, presta depoimento na CPMI do INSS

O C6, por ordem do INSS, é cobrado a devolver R$ 300 milhões a aposentados e pensionistas após a Controladoria-Geral da União (CGU) identificar pelo menos 320 mil contratos de consignados irregulares.

O INSS alegou ter havido “descumprimento das cláusulas do Acordo de Cooperação Técnica”. O motivo apontado pelo instituto é a ocorrência de descontos indevidos.

Convites a Galípolo e Campos Neto

Antes de começar a oitiva, a CPMI aprovou requerimentos de convites ao presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e ao ex-presidente da instituição financeira Roberto Campos Neto.

O convite se dá a fim de prestar informações sobre irregularidades em créditos consignados concedidos por instituições financeiras a aposentados e pensionistas.

Por se tratar de um convite, eles não são obrigados a comparecer.

Além dos convites, os parlamentares aprovaram pedido para que sejam compartilhadas, pelo presidente da CPI do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), informações relacionadas às transferências de sigilos fiscal, bancário, telefônico e telemático de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro.

Prorrogação da CPMI

A menos de 10 dias do encerramento do prazo regimental, marcado para 28 de março, o presidente da CPMI do INSS cobrou a prorrogação dos trabalhos. Logo no início da sessão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) alegou que “o silêncio (para o pedido de prorrogação) será interpretado como omissão”.

A cúpula da CPMI se agarra em uma possível decisão do ministro André Mendonça, do STF, sobre um mandado de segurança para postergar as sessões a fim de conseguir ouvir mais pessoas envolvidas nos empréstimos ilegais em consignados de bancos.

O colegiado não recebeu, até o momento, sinais do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sobre a prorrogação.

Esvaziamento

CPMI do INSS enfrenta um cenário de esvaziamento, derrotas sucessivas diante do Supremo Tribunal Federal (STF) e crescente avaliação, nos bastidores, de que os trabalhos caminham para um desfecho sem resultados expressivos.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Nesta semana, nenhuma das duas sessões marcadas ocorreu após decisão da Suprema Corte de conceder habeas corpus aos depoentes, o que frustrou a cúpula do colegiado.

Instalada com o objetivo de investigar suspeitas de irregularidades na gestão de benefícios previdenciários, a comissão perdeu tração ao longo dos últimos meses diante de divergências internas, dificuldades na aprovação de requerimentos e resistência de setores do governo e da oposição em avançar sobre pontos mais sensíveis da apuração.

O ambiente político também influenciou o ritmo dos trabalhos. Com a explosão do caso do Banco Master, a comissão passou a ocupar espaço secundário nas prioridades das lideranças partidárias, bem como a agenda do Congresso voltada para pautas econômicas e articulações eleitorais. Esse contexto reduziu o quórum em reuniões recentes e dificultou a construção de consensos mínimos.

O senador Carlos Viana admitiu a possibilidade da leitura e votação do relatório final na próxima quarta-feira (25/3).