CPMI aprova convocação de esposas do “Careca do INSS” e de Camisotti
Filho de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” também foi convocado
atualizado
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A CPMI do INSS aprovou, nesta terça-feira (16/9), por unanimidade, requerimentos para a convocação de pessoas da família dos empresários Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e de Maurício Camisotti, ambos apontados como os principais articuladores e beneficiados pelo esquema de descontos indevidos na previdência social. Os dois foram presos pela PF e não comparecerão à CPMI.
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Tânia Carvalho dos Santos e Romeu Carvalho Antunes, esposa e filho de Antunes, respectivamente, deverão comparecer à comissão para prestar esclarecimentos. Tânia, segundo as investigações, tem movimentações bancárias atípicas.
Romeu, por outro lado, configura como sócio do pai em algumas empresas que integram o esquema. Também foram convocados Rubens Oliveira Costa e Milton Salvador de Almeida Júnior, sócios de Antunes.
A esposa de Maurício Camisotti, Cecília Montalvão Queiroz, é sócia da Benfix Corretora de Seguros junto ao marido. A empresa teria recebido mais de R$ 10 milhões de entidades sindicais investigadas.
Também foi aprovado o requerimento de convocação do advogado Nelson Wilians, alvo de buscas e apreensão na mesma operação que prendeu Antunes e Camisotti. O advogado, que exibe a vida de luxo nas redes sociais, teria movimentado cerca de R$ 4,3 bilhões entre 2019 e 2024, sendo boa parte delas envolvendo Maurício Camisotti.
A Polícia Federal apreendeu relógios avaliados em mais de R$ 14 milhões, obras de arte de Di Cavalcanti e esculturas eróticas com o advogado.
O presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), disse que pretende realizar as oitivas na próxima sessão do colegiado, marcada para esssa quinta-feira (18/9) às 9h.
