Covid: “Vacinação de crianças não tem relação com aulas”, diz Queiroga

Declaração foi concedida horas antes da audiência pública promovida pelo Ministério da Saúde sobre a imunização de crianças de 5 a 11 anos

atualizado 04/01/2022 10:36

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, assina portaria para fortalecimento da terapia renal substitutiva no Sistema Único de Saúde (SUS) 2Rafaela Felicciano/Metrópoles

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou, nesta terça-feira (4/1), que a vacinação de crianças contra a Covid-19 não tem relação com o início do ano letivo.

A declaração foi dada horas antes da audiência pública promovida pelo Ministério da Saúde sobre a imunização de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19, com o imunizante da Pfizer.

O uso das doses pediátricas da vacina foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 16 de dezembro. No entanto, cabe ao Ministério da Saúde adquirir o imunizante e incluir o público infantil no Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Questionado se a vacinação de crianças será iniciada antes do retorno às aulas presenciais, o ministro afirmou que não há necessidade de imunizar este público para que o ano letivo seja retomado.

“Vacinação não tem relação com aula, inclusive a Unicef já pontuou isso, a ONU, a OMS. [É necessário] parar de criar espuma em relação a questões que são secundárias em relação ao enfrentamento da pandemia”, afirmou o cardiologista.

Queiroga também defendeu que o estudo divulgado pelo Ministério da Saúde na consulta pública sobre o tema traz evidências científicas sobre a vacinação infantil. O ministro afirmou que o governo não deve tomar decisões baseadas somente em “opinião de especialistas”.

“[É preciso decidir] se a gente vai tomar as decisões baseadas em estudos randomizados, em ciência de melhor qualidade, ou se toma só baseada em opinião de especialista. Às vezes são especialistas que não são tão especialistas assim”, finalizou.

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Audiência pública

Às 10h desta terça-feira, o governo apresenta, em audiência, os resultados da consulta pública finalizada em 2 de janeiro sobre vacinação infantil contra Covid-19. Foram colhidas cerca de 20 mil contribuições da sociedade.

Além de representantes do Ministério da Saúde, a audiência pública, realizada na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), terá participação de membros da sociedade científica.

De acordo com Queiroga, foram convocados o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público Federal (CNMPF), entre outras entidades.

Início da vacinação

A promessa do governo é que, na próxima quarta-feira (5/1), serão formalizados a recomendação e os parâmetros da imunização dessa faixa etária.

Na segunda-feira (3/1), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, adiantou que as doses para esse público devem chegar em 10 de janeiro, e a campanha será iniciada na segunda quinzena do mês.

Sem apresentar detalhes, Queiroga afirmou que a vacinação infantil “está bem definida, de maneira clara e transparente” e a pasta tem uma “ampla discussão com a sociedade” sobre o tema.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) é contra a possibilidade e defende a exigência de prescrição médica para a aplicação do imunizante em crianças. Na contramão, ao menos 20 estados já descartaram a medida.

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