Covid: com remessas atrasadas, Rio suspenderá aplicação da D1 nesta 2ª

"Se o secretário Soranz tiver alguma sugestão para melhorar a logística, é só me ligar, tem meu telefone", respondeu ministro, após pressão

atualizado 07/08/2021 14:44

Ministro da Saúde Marcelo Queiroga esteve na Maré para dar esclarecimentos sobre a vacinação em massa 11Aline Massuca/Metrópoles

Rio de Janeiro – O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirmou na tarde deste sábado (7/8) que, caso não receba nova remessa de doses de imunizantes contra a Covid-19 até este domingo (8/8), a aplicação da primeira dose da vacina estará suspensa no Rio a partir de segunda-feira.

Soranz informou que as doses recebidas na noite de sexta-feira e distribuídas na madrugada de sábado são suficientes, apenas, para garantir a segunda dose da população alvo. Cinquenta mil doses das 223.868 recebidas estão à disposição para a primeira aplicação.

“Estamos aguardando o envio hoje das doses de Coronavac e Pfizer já no estoque do Ministério da Saúde. Caso o envio não se confirme, teremos que suspender o avanço do calendário para aplicação de primeiras doses na próxima segunda-feira”, escreveu Soranz.

As cobranças por celeridade na distribuição dos frascos pelo Ministério da Saúde, feita pelo secretário e pelo prefeito Eduardo Paes, nas redes sociais, têm sido constantes. Na terça-feira, durante evento no Complexo da Maré, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foi questionado sobre esta demora e respondeu ironicamente aos jornalistas, com recado ao secretário, que estava no evento.

“Não é porque chegou em Guarulhos e em Viracopos que será distribuído imediatamente. Se o secretário Soranz tiver alguma sugestão para melhorar a logística, é só me ligar, tem meu telefone”, disse, olhando para Soranz, que não teve chance de resposta. O ministro deixou a agenda, alegando estar atrasado para pegar carona em avião da Força Aérea Brasileira. “Avião da FAB tem horário e não vai esperar por mim”, brincou.

A vacinação é, como consenso de todos, a única arma eficaz para controlar o caráter pandêmico da doença. De acordo com a SMS, 95% das pessoas internadas no Rio hoje não tomaram nem a primeira dose. Além disso, a cidade registra aumento de casos nas últimas semanas, atingindo patamares não registrados desde maio. A situação mais grave, no entanto, é que a capital fluminense se tornou o epicentro da contaminação com a variante delta, que já vitimou uma idosa que, segundo a pasta, recusou a vacina.

O prefeito Eduardo Paes fez coro ao alerta do secretário. “Mais uma vez fazemos esse apelo público ao Ministério da Saúde. Soube que tem inclusive um monte de Coronavac do Butantan lá estocada. Bora distribuir. Só 5% dos internados no Rio tomaram vacina. Ou seja, elas funcionam e SALVAM VIDAS!”, disse.

Nas redes sociais, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio informou que distribuirá, ainda neste sábado, 627.190 doses da vacina, sendo 174 mil para a primeira dose da AstraZeneca e 135 mil para a segunda. Da vacina da Pfizer, são 252 mil doses para a injeção inicial e 57 mil para a de reforço. Além disso, serão distribuídas 7.700 doses da vacina da Janssen, de aplicação única.

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