Conselho de saúde indígena relata possível surto de Covid-19 entre crianças

O Ministério da Saúde investiga o comunicado recebido pelo órgão dos Yanomami e dos Ye'kuanna

atualizado 28/01/2021 8:43

YanomamiLeonardo Prado/ PGR

O Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuanna (Condisi-YY) enviou, na terça-feira (26/1), um ofício ao Ministério da Saúde informando as mortes de quatro crianças, entre 1 e 5 anos, que apresentavam sintomas da Covid-19.

O documento, assinado pelo presidente do Condisi-YY, Júnior Hekurari Yanomami, também fala de mais 25 crianças em estado grave e solicita o envio de profissionais de saúde às Terras Yanomami, em Roraima.

De acordo com o relato, foram registradas quatro mortes na comunidade Waphuta, duas delas no domingo (25/1), e outras cinco em Kataroa, região do Surucucu, em Alto Alegre, Norte de Roraima. O desespero de Júnior se deve ao fato de que os postos de saúde da região se encontram fechados há dois meses. São informações do G1.

“Ontem, fui chamado pelo rádio onde o agente de saúde [de Waphuta] me informou que tinham morrido quatro crianças, duas crianças anteontem, dia 25. Perguntei o motivo, ele me informou que na comunidade está tendo surto de coronavírus, que essas crianças estavam com 39 graus de febre e com dificuldade de respirar. Então, tenho certeza que morreram de coronavírus, essa ‘xawara’ [doença] que está aí na cidade’, foi isso que ele me disse”, contou Hekurari.

O presidente do órgão conta que foi chamado simultaneamente por duas comunidades diferentes para ser comunicado sobre os surtos.

“No mesmo tempo, o professor [de Kataroa] me informou que lá morreram cinco crianças e disse que a situação era a mesma, sem equipe, que estava tendo surto de coronavírus na comunidade, pessoas com muita tosse, febre. Então, ele disse que as cinco também morreram de coronavírus. Disse que o povo está doente, pedindo socorro, pois o posto está fechado”, lamentou.

Apesar de ter comunicado todos os órgãos responsáveis, Ministério da Saúde, Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF) sobre as mortes e situação grave das crianças contaminadas, não recebeu resposta.

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