Conflitos entre facções rivais deixam 13 mortos no Amapá
Assassinatos tiveram início após a execução de um familiar da liderança de um dos bandos
atualizado
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Uma guerra declarada entre duas facções rivais deixou 13 mortos neste último fim de semana nos municípios de Macapá e Santana, no estado do Amapá. A motivação para o início do conflito teria sido o assassinato do filho de uma das principais lideranças de um dos grupos. A execução foi gravada e divulgada nas redes sociais pelos rivais.
As ações do conflito ocorreram em diferentes regiões dos dois principais municípios do estado. De acordo com o portal Diário do Amapá, após o assassinato do filho dessa liderança, foi enviado um chamado da diretoria da facção para que integrantes rivais fossem executados.
O secretário de Estado da Justiça e Segurança Pública, coronel Carlos Souza, concedeu uma entrevista na manhã desta segunda-feira (24/05) ao programa Luiz Melo Entrevista e afirmou que as ordens para as execuções teriam sido repassadas de dentro do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).
Imediatamente, acionaram um protocolo de defesa para conter a situação dentro e fora do instituto. O coronel afirmou que os líderes das duas facções envolvidas estariam dentro do Iapen para “se entender”.
“Desencadeamos o protocolo de segurança dentro da cadeia para isolar aqueles que comandam a organização. (…) Também realizamos a disseminação das informações de inteligência para as equipes de rua, no sentido de evitar que pessoas inocentes acabassem mortas”, continuou o secretário.
Ele ainda disse que as mortes causadas pelos confrontos arruinaram a sequência de queda nos números de mortes violentas registradas desde o início deste ano. “Nós já temos, por causa desse final de semana, mais morte do que as registradas nos meses de março e abril juntos”, declarou.
Além disso, Souza revelou que os integrantes das facções estavam dispostos ao “tudo ou nada” e explicou que, enquanto as forças de segurança realizavam alguns atendimentos, os criminosos tentaram atacar os agentes públicos, ocasionando confrontos diretos.
Resposta proporcional
De acordo com o secretário, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi atacada a tiros e os criminosos não tinham a intenção de se render. Mas garantiu que o Estado vai responder proporcionalmente. “Nossa missão é preservar vidas, iniciando pelo agente de segurança que precisa preservar sua própria vida para proteger o cidadão de bem”, lembrou ele.
O coronel afirmou que, para ele, a quebra no sistema financeiro das facções fez com que aumentassem as disputas por territórios, resultando em um combate ainda maior. “Isso é reflexo das ações que temos realizado no combate ao tráfico de drogas”, declarou Souza.
“Tivemos considerável apreensões e essa quebra do sistema financeiro os obriga a tentar fazer capital a qualquer custo”, continuou o gestor. Ele ainda afirmou que os agentes continuarão a atuar “com inteligência” para desarticular esses grupos.
A ameaça direta a familiares dos integrantes foi um novo aspecto nesses conflitos. Apesar de terem um código de que “com familiar não se mexe”, o secretário disse que, dessa vez, os faccionados divulgaram nomes de possíveis alvos.
No domingo (23/05), as chefias dos grupos decidiram cessar fogo e por fim nos ataques e mortes. “Agora, teremos o desdobramento de tudo isso (…). Não se pode dizer que, passado o final de semana, está tudo normal, não está. Vamos responder à altura”, concluiu o coronel.
