Com nova debandada, mais de 100 pesquisadores deixam a Capes

Pesquisadores que atuavam na avaliação da área de engenharias deixaram o cargo nessa terça-feira. Capes minimiza demissões

atualizado 08/12/2021 12:47

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES3Gustavo Moreno/Metrópoles

Mais 34 pesquisadores da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) renunciaram ao cargo, nessa terça-feira (7/12). A informação foi confirmada ao Metrópoles junto a servidores do órgão.

O grupo atuava na avaliação da área de engenharias (aeroespacial, mecânica, naval e oceânica e de produção).

Agora, a debandada da Capes soma 114 profissionais. Pesquisadores das áreas de química, matemática e física já haviam renunciado aos cargos, todos insatisfeitos com a atual gestão da Capes, que é presidida por Cláudia Queda de Toledo.

As renúncias foram anunciadas nas últimas semanas.

Em nota publicada nesta quarta-feira (8/12), a Capes minimizou a debandada; disse que o desligamento dos coordenadores e consultores ocorreu em quatro das 49 áreas de avaliação.

“A instituição tem sido vítima de narrativas que omitem fatos ou lhes dão conotação que não correspondem à realidade”, alegou o órgão.

A Capes e a Advocacia Geral da União (AGU) conseguiram na Justiça a retomada da avaliação quadrienal, um dos motivos que levou os profissionais a abandonarem os cargos.

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“Assim, está autorizada a continuidade da Avaliação Quadrienal e dos trabalhos desenvolvidos pelos coordenadores e avaliadores, bem como pelos servidores da Fundação. Vale ressaltar que esses questionamentos vêm sendo feitos pelo Ministério Público Federal desde 2018. Portanto, não se trata de um fato gerado na atual gestão”, relembrou a Capes.

Por fim, a presidente Cláudia Queda de Toledo ressaltou ter feito um pedido aos coordenadores para que permaneçam colaborando com a avaliação, pois todos são essenciais ao trabalho.

A Capes é uma agência vinculada ao Ministério da Educação. O órgão é responsável pelos cursos de pós-graduação e também presta apoio às universidades na expansão do ensino stricto sensu em todos os estados brasileiros.

Leia a íntegra da nota:

“A CAPES vem a público reiterar suas preocupações com o enfoque que a imprensa, em geral, tem adotado a respeito do recente movimento de desligamento de coordenadores e consultores de 4 (quatro) das 49 (quarenta e nove) áreas de avaliação.

A instituição tem sido vítima de narrativas que omitem fatos ou lhes dão conotação que não correspondem à realidade. Vamos esclarecer, mais uma vez, os fatos:

A CAPES e Advocacia Geral da União (AGU) conseguiram na Justiça, na última quinta-feira, 2, a retomada da avaliação quadrienal, por decisão do juiz titular da 32ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Assim, está autorizada a continuidade da Avaliação Quadrienal e dos trabalhos desenvolvidos pelos coordenadores e avaliadores, bem como pelos servidores da Fundação. Vale ressaltar que esses questionamentos vêm sendo feitos pelo Ministério Público Federal desde 2018. Portanto, não se trata de um fato gerado na atual gestão.

A ação da CAPES e da AGU comprova o compromisso e empenho árduo das duas instituições para a obtenção da retomada das atividades da Avaliação Quadrienal.

Sobre a suspensão da divulgação dos resultados da avaliação, a CAPES está esclarecendo o procedimento e prestando as informações necessárias às questões levadas ao Poder Judiciário e a intenção é obter, sim, autorização para a divulgação dos resultados. Para que isso ocorra, a CAPES esclarecerá todos os pontos solicitados pelo Juízo.

Em relação aos coordenadores que renunciaram, a CAPES informa que os mandatos dos coordenadores atuais vigem até abril de 2022. A presidência da Fundação está aguardando o novo cronograma da Avaliação Quadrienal, elaborado pelo Conselho Técnico-Científico (CTC). A prorrogação dos mandatos vai considerar o novo calendário, necessário à avaliação, em respeito à legalidade e à segurança jurídica do processo avaliativo.

A CAPES esclarece ainda que o processo avaliativo compreende os Programas de Pós-Graduação que estão em funcionamento, denominada Avaliação de Permanência, e as Propostas de Cursos Novos (APCN), que pedem autorização para o início de suas atividades. Possibilitar a criação de cursos novos é uma oportunidade de fortalecimento da pós-graduação brasileira.

Cláudia Queda de Toledo, presidente da CAPES, faz um pedido aos coordenadores para que permaneçam colaborando com a Avaliação, pois todos são essenciais ao trabalho.”

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