Com montagem de Bolsonaro nu, ONG faz campanha contra desinformação

Intitulada de "A verdade nua e crua", campanha é iniciativa da Organização Não Governamental (ONG) Repórteres sem Fronteiras

atualizado 22/02/2021 11:54

RSF/Divulgação

A Organização Não Governamental (ONG) Repórteres sem Fronteiras (RSF) lançou, nesta segunda-feira (22/2), uma campanha para ressaltar a importância do jornalismo durante a pandemia de Covid-19.

A imagem que estampa a ação é uma montagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nu, coberto por uma placa que informa o número de mortos pela Covid-19 no Brasil.

Intitulada de “A verdade nua e crua”, a campanha é, segundo os organizadores, “uma forma simbólica de confrontar o presidente Bolsonaro com a realidade nua e crua dos fatos, enquanto ele acusa a imprensa pelo caos instalado no país”.

No cartaz promocional da ação, há uma frase em defesa do trabalho da imprensa, além de dados sobre os mais de 245 mil mortos pela Covid-19 e sobre os mais de 10 milhões de casos confirmados da doença no Brasil.

“Uma ‘gripezinha’? Frente às mentiras e às omissões do presidente Jair Bolsonaro e de seu governo, precisamos dos jornalistas para ter acesso aos fatos. Defenda o jornalismo livre e independente no Brasil”, diz o cartaz.

“Essa campanha, propositalmente chocante, visa despertar as consciências a reagirem aos ataques permanentes do sistema Bolsonaro contra a imprensa”, afirmou Christophe Deloire, secretário-geral da RSF.

Para Deloire, as agressões não são prejudiciais apenas aos profissionais da imprensa, mas também à população, que fica “privada de informações vitais” sobre a pandemia.

“O trabalho dos jornalistas é fundamental para relatar os fatos e informar as pessoas sobre a realidade da crise sanitária. Mais do que nunca, o direito à informação, intimamente ligado ao direito à saúde, deve ser defendido no Brasil”, afirma o secretário-geral.

Ataques

Em janeiro deste ano, a ONG publicou um balanço dos ataques de Bolsonaro, seus filhos e ministros do governo à imprensa no ano de 2020. Segundo o levantamento, 580 casos de agressões de pessoas ligadas ao presidente contra jornalistas foram registrados.

Do total, 85% das ofensas foram feitas pelo próprio presidente e pelos filhos. Os principais autores das agressões foram o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) , com 208 ataques, e o pai, com 103 agressões públicas.

Em agosto do ano passado, por exemplo, Bolsonaro afirmou ter vontade de agredir um repórter do jornal O Globo. O presidente estava visitando a Catedral de Brasília quando foi questionado pelo jornalista sobre os depósitos feitos pelo ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Fabrício Queiroz, na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

“Minha vontade é encher tua boca na porrada, tá?”, respondeu o presidente.

Infográfico mostra ataques à imprensa em 2020
Ataques à imprensa em 2020

Na lista também aparecem o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), com 89 e 69 ataques, respectivamente.

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, fez 19 agressões públicas à imprensa, e o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, protagonizou 17 ataques a jornalistas.

 

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