Com montagem de Bolsonaro nu, ONG faz campanha contra desinformação
Intitulada de "A verdade nua e crua", campanha é iniciativa da Organização Não Governamental (ONG) Repórteres sem Fronteiras

A Organização Não Governamental (ONG) Repórteres sem Fronteiras (RSF) lançou, nesta segunda-feira (22/2), uma campanha para ressaltar a importância do jornalismo durante a pandemia de Covid-19.
A imagem que estampa a ação é uma montagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nu, coberto por uma placa que informa o número de mortos pela Covid-19 no Brasil.
Intitulada de “A verdade nua e crua”, a campanha é, segundo os organizadores, “uma forma simbólica de confrontar o presidente Bolsonaro com a realidade nua e crua dos fatos, enquanto ele acusa a imprensa pelo caos instalado no país”.

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Ver todasNo cartaz promocional da ação, há uma frase em defesa do trabalho da imprensa, além de dados sobre os mais de 245 mil mortos pela Covid-19 e sobre os mais de 10 milhões de casos confirmados da doença no Brasil.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Uma ‘gripezinha’? Frente às mentiras e às omissões do presidente Jair Bolsonaro e de seu governo, precisamos dos jornalistas para ter acesso aos fatos. Defenda o jornalismo livre e independente no Brasil”, diz o cartaz.

“Essa campanha, propositalmente chocante, visa despertar as consciências a reagirem aos ataques permanentes do sistema Bolsonaro contra a imprensa”, afirmou Christophe Deloire, secretário-geral da RSF.
Para Deloire, as agressões não são prejudiciais apenas aos profissionais da imprensa, mas também à população, que fica “privada de informações vitais” sobre a pandemia.
“O trabalho dos jornalistas é fundamental para relatar os fatos e informar as pessoas sobre a realidade da crise sanitária. Mais do que nunca, o direito à informação, intimamente ligado ao direito à saúde, deve ser defendido no Brasil”, afirma o secretário-geral.
Ataques
Em janeiro deste ano, a ONG publicou um balanço dos ataques de Bolsonaro, seus filhos e ministros do governo à imprensa no ano de 2020. Segundo o levantamento, 580 casos de agressões de pessoas ligadas ao presidente contra jornalistas foram registrados.
Do total, 85% das ofensas foram feitas pelo próprio presidente e pelos filhos. Os principais autores das agressões foram o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) , com 208 ataques, e o pai, com 103 agressões públicas.
Em agosto do ano passado, por exemplo, Bolsonaro afirmou ter vontade de agredir um repórter do jornal O Globo. O presidente estava visitando a Catedral de Brasília quando foi questionado pelo jornalista sobre os depósitos feitos pelo ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Fabrício Queiroz, na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
“Minha vontade é encher tua boca na porrada, tá?”, respondeu o presidente.

Na lista também aparecem o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), com 89 e 69 ataques, respectivamente.
A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, fez 19 agressões públicas à imprensa, e o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, protagonizou 17 ataques a jornalistas.



