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Com diferentes versões, advogado de Cid diz que não tem "compromisso com a coerência"

Advogado de Cid, Cezar Bitencourt tem avançado e recuado em explicações que têm potencial de complicar a vida do ex-presidente Bolsonaro

Sarah Teófilo21/08/2023 18:23, atualizado 21/08/2023 19:54
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Vinícius Schmidt/Metrópoles
Áudio filha Mauro Cid intervenção

Advogado do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Cezar Bitencourt tem dado diferentes versões sobre a posição que seu cliente adotará em relação à venda de joias que deveriam ter sido incorporadas ao patrimônio da União. Ao Metrópoles, nesta segunda-feira (21/8), ele ressaltou que não está preocupado com o que diz à imprensa.

“Eu não tenho o compromisso com a coerência de um dia para o outro dessas coisas. Então, como evolui as coisas, tudo muda”, afirmou.

Bitencourt pontua que não pode mudar apenas a tese a ser apresentada no processo, e que, neste caso, ele ainda vai “escrever, refletir e pensar”.

Confissão?

À revista Veja, na semana passada, ele disse que Cid confessaria a venda de joias recebidas por Bolsonaro, e que agiu apenas após ordens do ex-presidente, a quem chamou de “mandante”. Depois de confirmar a versão a outros jornalistas, Bitencourt recuou e disse que se referia apenas a um relógio Rolex, e que o tenente-coronel não iria “dedurar” o ex-chefe.

De lá para cá, o advogado tem usado palavras que deixam em aberto até que ponto Cid pretende complicar a vida de Bolsonaro. Ao Metrópoles, nesta segunda-feira, ele afirmou que Cid vai admitir a venda do relógio Rolex, mas que ainda não sabe a posição que a defesa irá adotar em relação a Bolsonaro. Bitencourt voltou a dizer que o ex-presidente pediu ao assessor: ‘Resolve isso aí’.

Segundo o advogado, Cid vendeu o relógio “para o proprietário e prestou contas para quem era de direito”.

Confira alguns trechos da entrevista:

Afinal, Cid vai confessar que vendeu os relógios a pedido do Bolsonaro ou não?
Não.

Não vai dizer isso?
Não sei. Ainda vamos conversar, vou verificar o andar da carruagem. Não tem nada definido nesse sentido.

O senhor deu algumas versões divergentes, né?
Pois é. Eu não tenho o compromisso com a coerência de um dia para o outro dessas coisas. Então, como ‘evolui’ as coisas, tudo muda.

O que evoluiu de quinta-feira para cá?
Ah, eu não tenho uma definição ainda. A gente está colhendo material, verificando. Vocês estão investigando, eu também estou investigando. Também estou atrás para verificar.

Ele vai admitir que vendeu os relógios da Patek e da Rolex?
Eu sei de um relógio.

Só o Rolex?
Isso.

O que o senhor ainda não sabe é se ele vai admitir a participação do Bolsonaro nisso?
A participação do Bolsonaro tem aquela situação: ele [Cid] era assessor. Tinha o vínculo de assessor. ‘Resolve isso aí’. Então, ele tentou resolver da forma como ele tinha. Essa é a participação.

O que significa ‘resolve isso aí’?
Ele queria vender, não queria vender? Tentou vender.

Ele quem? Bolsonaro ou Cid?
Não sei. A turma que queria vender, o dono.

Quem é o dono?
Não sei.

Esse movimento do senhor de dizer que o Cid vai confessar que o Bolsonaro mandou e depois recuar, é estratégia da defesa?
Eu não disse que iria confessar que o Bolsonaro mandou. Disse apenas que ele [Cid] iria falar que efetivamente foi aos Estados Unidos efetuar a venda, tentou trazer, trouxe uma parte, e a destinação é para quem era dono do relógio. O Cid ia vender e ficar para ele? Claro que não. Se ele vendeu coisa foi para o dono do objeto.

E o dono do objeto é o Bolsonaro?
Segundo consta, é o presidente, a família, ele e a mulher. Não sei.

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