Cid: advogado de Bolsonaro queria “defesa conjunta” e travar delação

Em depoimento à PF, Cid diz que atual advogado de Bolsonaro procurou mãe do delator. Wajngarten é citado por Cid

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Mauro Cid durante primeira Turma 1 do Supremo Tribunal Federal STF comecou a interrogar os reus do nucleo 1 por participacao na suposta trama golpista - Metrópoles 2
1 de 1 Mauro Cid durante primeira Turma 1 do Supremo Tribunal Federal STF comecou a interrogar os reus do nucleo 1 por participacao na suposta trama golpista - Metrópoles 2 - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O ex-ajudante de ordens Mauro Cid afirmou, em depoimento à Polícia Federal (PF), que integrantes da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) procuraram membros da família dele — entre eles, a esposa — para articular uma “defesa conjunta” e obter informações sobre a delação premiada firmada com a própria PF.

O depoimento foi prestado nessa terça-feira (24/6), no âmbito do inquérito que investiga uma suposta tentativa de obstrução das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. Além de negar que tenha usado redes sociais da esposa para se comunicar com o advogado do ex-assessor Marcelo Câmara, Cid rejeitou outros pontos abordados pela PF.

Cid relatou que o advogado de Câmara, Eduardo Kuntz, procurou sua mãe e sua filha. Segundo ele, Kuntz se encontrou com a mãe em três ocasiões, em São Paulo (SP), quando a filha de Cid estava no hipismo.

O ex-ajudante afirmou não entender por que o advogado teve contato com sua família, já que ambos tinham uma relação distante — Kuntz atuou na defesa de Bolsonaro e, nesse contexto, os dois tiveram contato pontual.

O ex-ajudante salientou que, em um dos encontros com a mãe, Kuntz estava acompanhado do advogado Paulo Bueno, atual advogado de Bolsonaro. Na ocasião, segundo Cid, os dois se colocaram à disposição da mãe de Cid para atuar na defesa do filho — então preso — no caso da suposta trama golpista. Cid entregou à PF um documento assinado pela mãe, relatando e confirmando a abordagem.

Já sobre as investidas de Kuntz em relação à filha, Cid afirmou acreditar que o advogado buscava informações sobre os termos da colaboração premiada.

Procurado por Wajngarten

Cid também relatou que Fábio Wajngarten, ex-assessor de Bolsonaro, se aproximou da esposa e da filha menor de idade dele, em agosto e setembro de 2023.

Segundo ele, as conversas ocorreram por WhatsApp, mas, em uma ocasião, Wajngarten teria ligado para a esposa com o objetivo de convencê-la a trocar os advogados que o defendiam.

O ex-ajudante apresentou à PF uma declaração escrita e assinada pela esposa, narrando o episódio. O ex-ajudante de Bolsonaro afirmou acreditar que as investidas tinham como objetivo obter detalhes sobre a delação.

Wajngarten foi demitido pelo Partido Liberal (PL) em maio, após um episódio envolvendo mensagens vazadas dele com Cid, após críticas a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O ex-assessor, ao Metrópoles, negou as acusações de Cid e citou que é “a criminalização da advocacia é a cortina de fumaça para tentar ocultar a expressa falta de voluntariedade do réu delator Mauro Cid e a consequente nulidade da colaboração”.

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