Chuva em PE: "Comecei a cavar com as unhas", diz pai em busca da filha
Mais de 260 pessoas estão desalojadas após as fortes chuvas que começaram na última sexta-feira (9/4) no estado

As fortes chuvas que atingem Pernambuco, desde a última sexta-feira (9/4), causaram 78 deslizamentos de barreiras, além de oito quedas de árvores em vias públicas e cinco colapsos parciais de edificações. Segundo levantamento da Central de Operações da Secretaria Executiva de Defesa Civil, em 267 pessoas estão desalojadas.
Os números correspondem aos registros feitos pelas coordenadorias municipais de Defesa Civil dos municípios de Abreu e Lima, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Recife, Gameleira, São Lourenço da Mata e Tamandaré.
O Corpo de Bombeiros de Pernambuco aponta que, nesta segunda-feira (12/4), um ônibus com 38 passageiros sofreu uma pane enquanto atravessava uma área alagada. Equipes fizeram resgate e todos saíram sem ferimentos.
Segundo o portal Rádio Jornal, a corporação atendeu a diversas ocorrências nas últimas 48h. Entre elas, 11 deslizamentos de barreiras, 70 pessoas que ficaram ilhadas, 90 fiações elétricas incendiadas e nove árvores caídas em vias públicas.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasDesespero
Na comunidade Jardim Monteverde, no Ibura, uma barreira deslizou na madrugada desta segunda, atingindo duas casa. Uma adolescente ficou ferida.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO pedreiro José Cláudio Batista lamentou a situação em que sua casa ficou. Ele morava no local há 15 anos com a família, e a adolescente ferida é a filha de 14 anos de José. A jovem foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com escoriações na cabeça e na perna.
“Foi um momento de desespero. Quando ouvi o tremor, meu filho pediu ajuda, aí me levantei nas carreiras e quando vi não conseguia achar minha filha. Perguntei: ‘Cadê minha filha?’. E meu filho disse: ‘Não sei, ‘tá’ aí soterrada'”, lembra Batista.
Então, ele começou a procurá-la desesperadamente. “Andei no barro, procurando minha filha. Eu só pedia: ‘Cadê minha filha, eu quero minha filha, Jesus’. Eu só vi tijolo e muito barroo, ela nem sequer respirava. Comecei a cavar com as unhas. Aí, consegui puxar minha filha”, contou José ao portal JC.
Ele ainda revelou que agora procura alternativas de abrigo para a família. “Não tenho aonde morar, eu não tenho família aqui. Eu vou morar onde? Vou para debaixo da ponte?”, completa, em desespero.









