Cepa de Manaus está presente em 93% de amostras em Goiânia, diz Saúde

Estudo da UFG pedido pela SMS mostra que a variante mais agressiva já predomina na capital goiana; cenário é preocupante: UTIs estão lotadas

atualizado 17/03/2021 20:37

coveiros de cemitério de goiânia usam roupas especiais para enterrar vítimas da covid-19 em goiásVinícius Schmidt/Metrópoles

Goiânia – A cepa P1 do coronavírus, mais conhecida como a variante de Manaus, já é predominante na capital goiana, o que ocasionou uma explosão de casos graves e internações na cidade em decorrência da Covid-19. A informação foi divulgada na noite desta quarta-feira (17/3), durante coletiva de imprensa, pelo secretário de Saúde do município, Durval Pedroso.

Segundo ele, a Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), solicitou o sequenciamento genético de 30 amostras aleatórias de pacientes. O estudo, realizado pelo laboratório do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), aponta que, do material analisado, 93% eram relativos à variante de Manaus: das 30 amostras, 28 indicavam a cepa P1.

“A cepa P1 tem maior poder de virulência e contágio, hospitaliza pessoas de menor idade, mas, apesar de ser uma amostra pequena, do ponto de vista epidemiológico, o cenário apresentado pela pesquisa mostra que esta é a cepa predominante em Goiânia”, disse o secretário.

De acordo com Pedroso, o cenário da segunda onda da Covid-19 em Goiânia tem sido diferente, já que há um número maior de internações de pessoas mais jovens, que apresentam casos mais graves. O titular da pasta da Saúde ressaltou que ainda não é possível afirmar que a cidade chegou ao pico de transmissão.

Desrespeito

A população não observou a necessidade de restrição dos primeiros decretos, então a taxa de circulação do vírus não pode ser observada. Os próximos 14 dias são fundamentais. Não é possível afirmar que atingimos o pico, ainda teremos mais casos”, afirmou o secretário, fazendo mais um alerta para que a população siga os protocolos para o enfrentamento da doença.

O secretário de saúde de Goiânia, que também é médico, se disse na obrigação de chamar a responsabilidade para toda a população goianienese com a vida. “Chamamos a população a compreender a gravidade da situação, no momento, não poderão ser abertos mais leitos, pessoas terão que agonizar sem atendimento”, disse ele.

Parte técnica

Pedroso reforçou que à pasta cabe a vigilância epidemiológica, a abertura de leitos hospitalares, os atendimentos, a vacinação e a testagem da população, mas ressaltou que nada disso será suficiente caso as pessoas não entendam a realidade. “As pessoas insistem em expor a própria vida e a do outro”, disse ele.

“A situação preocupa muito. Talvez, no momento, não seja possível criar mais leitos, prestadores relatam dificuldade de acessos a medicações e profissionais. Goiânia só não virou Manaus, pela elasticidade na criação de leitos, para que as pessoas não morressem sem atendimento”, destacou.

De acordo com Pedroso, Goiânia tem agora 300 leitos de UTI para Covid-19 e todos estão ocupados. Segundo ele, a taxa de letalidade dos pacientes em UTI é de 50% a 60%, “a chance de morrerem 150 pessoas é muito grande e é isso que não queremos”.

Explosão

O secretário declarou que a abertura de leitos estava ocorrendo de forma controlada, na tentativa de garantir a taxa de ocupação em menos de 70%, no entanto, em menos de 76h, a ocupação saltou para 96%.

“A taxa de crescimento da solicitação de leitos e ocupação não tinha um perfil tão vertical na curva de propagação, o tempo ficou muito curto nesse ano. Nós só não colapsamos porque foi possível a abertura de leitos. A gravidade já está demonstrada, não queremos que a situação de Manaus se repita em Goiânia. Fazemos a parte técnica, a vacina ainda é escassa, mas é importante que a circulação do vírus diminua!”, exclamou o secretário.

O titular da Saúde da capital goiana salientou ainda que o momento é de preservação da vida. “O cenário não é adequado para pensar em flexibilizações. As pessoas devem se preocupar mais com a gravidade da doença que castigou Manaus e que hoje encontra-se em Goiânia”, concluiu ele.

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Medidas restritivas

A Prefeitura de Goiânia publicou no último sábado (13/3) o Decreto nº 1.897, que adota o isolamento intermitente como medida obrigatória para o enfrentamento emergencial da Covid-19. Dessa forma, o comércio ficará fechado por mais 14 dias, para depois funcionar por 14 dias.

O novo decreto determinou a suspensão das atividades não essenciais desde a última segunda (15/3), seguidos por 14 dias de funcionamento, sucessivamente. O documento afirma que a medida é obrigatória em todo o município de Goiânia.

Aos supermercados e congêneres, fica restrita a venda de alimentos, bebidas, produtos de higiene, saúde e limpeza.

Nesses locais, será permitida a entrada de apenas uma pessoa por família; exceto em casos que é necessário acompanhamento especial. Lojas de conveniências devem permanecer fechadas.

Aulas

Para hotéis, pousadas e correlatos, o limite máximo de acomodação é de 65%. Nos estabelecimentos privados de ensino regular nas etapas infantil, fundamental e médio, as aulas foram novamente suspensas, ficando restritas à modalidade remota.

Conforme o decreto, foi permitida a volta do atendimento em sistema drive-thru e pegue e leve em bares e restaurantes. A questão foi motivo de protesto pelos donos dos estabelecimentos na última quarta-feira (10/3) na capital.

O funcionamento de igrejas e templos religiosos também está suspenso, sem a realização de missas ou cultos, apenas os atendimentos individuais estão permitidos. Na última sexta (12/3), uma liminar já havia suspendido as atividades religiosas coletivas no município.

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