Luz cortada causou briga antes de corretora sumir em subsolo de prédio
Desaparecimento de Daiane Alves Souza, de 43 anos, completou um mês. Ela sumiu após descer ao subsolo para contestar corte de energia
atualizado
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Goiânia – A corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, desapareceu após sair do apartamento em que morava para verificar interrupção no fornecimento de energia no local, em Caldas Novas, no sul goiano. Segundo o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), esta não foi a primeira falta de energia elétrica questionada pela mulher.
De acordo com decisão, à qual o Metrópoles teve acesso, a primeira reclamação feita por Daiane sobre o corte de energia ocorreu em 4 de junho de 2025. A mulher verificou que não havia nenhuma pendência em seu nome na empresa responsável pela distribuição, e a interrupção teria sido feita pelo próprio condomínio, sob alegação de que a moradora descumpria regras do regimento interno ao promover atividades de marcenaria no apartamento.
Daiane negou que mantivesse qualquer atividade comercial no local e informou que havia instalado um armário para uso pessoal. No entanto, a administração do condomínio teria o condicionado religamento da luz à entrega de materiais.
Conforme a ação, Daiane relatou que o condomínio também teria proibido a entrega de encomendas para o imóvel dela.
Desaparecida há um mês
- Daiane está desaparecida desde o dia 17 de dezembro de 2025. Imagens de câmeras de monitoramento mostram a corretora entrando no elevador, passando pela portaria para falar com o recepcionista e depois retornando ao elevador, descendo para o subsolo.
- No entanto, de acordo com a família, não há imagens dela saindo do prédio nem voltando ao apartamento.
- Antes de desaparecer, Daiane enviou um vídeo a uma amiga. Nas imagens, a corretora mostra o apartamento sem energia elétrica e segue filmando o trajeto até o elevador. Em seguida, desce até a portaria para questionar o porteiro sobre a falta de energia.
- Nas imagens dentro do elevador, a mulher ainda aparece falando com outro morador sobre a queda de energia.
Força policial
O processo movido por Daiane contra o condomínio gerou multa de R$ 20 mil, em razão do descumprimento da primeira decisão para o restabelecimento da energia no apartamento. A decisão foi proferida em 8 de agosto de 2025.
No dia 20 do mesmo mês, a Justiça de Goiás determinou com urgência que um técnico fosse ao condomínio para restabelecer o abastecimento elétrico da residência.
Na decisão, o juiz André Igo Mota de Carvalho autorizou uso de força policial, caso fosse necessário. “Determino que o réu se abstenha de interromper o fornecimento de energia elétrica na unidade consumidora até o julgamento da lide ou determinação do juízo em contrário, sob pena de multa de R$ 500 por dia de suspensão de serviços”, diz o processo.
Relacionamento difícil com moradores
Daiane tem histórico de desentendimentos com vizinhos, moradores e funcionários do condomínio. Relatos apontam que a mulher era frequentemente alvo de reclamações por barulho excessivo e comportamento agressivo.
Em agosto do ano passado, os condôminos chegaram a realizar reunião formal para discutir a expulsão da corretora do prédio. No total, 52 dos 58 moradores teriam votado a favor da medida.
Daiane é natural de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e morava em Caldas Novas. Ela administrava seis apartamentos da família dela no prédio.
Força-tarefa
O desaparecimento de Daiane Alvez Souza passou a ser investigado pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH), sob a presidência do delegado Rodrigo Pereira.
A corporação não descarta nenhuma hipótese e reforça que quaisquer informações sobre o paradeiro da mulher podem ser repassadas, com garantia de sigilo absoluto, por meio do telefone 197 ou pelos canais oficiais da Delegacia de Polícia de Caldas Novas.
De acordo com o titular da DIH, delegado Rodrigo Pereira, ele esteve no condomínio com agentes da PC para novas diligências. A equipe chegou em uma viatura descaracterizada e analisou pontos estratégicos do prédio. Moradores relataram que, à época do desaparecimento, o edifício passava por reformas e que as câmeras de segurança que cobriam áreas da garagem não estavam funcionando.
Para os investigadores, uma das hipóteses é de que outra pessoa tenha colocado a corretora em um veículo, possivelmente no porta-malas, e deixado o local sem ser registrada por câmeras.
Em nota, a Polícia Civil informou que realiza força-tarefa para esclarecer o caso e que novos detalhes vão ser divulgados no decorrer das investigações.
A Polícia Civil segue ouvindo moradores, funcionários do condomínio e analisando documentos internos, incluindo informações sobre o corte de energia e o funcionamento do sistema de monitoramento. Segundo os investigadores, nenhuma possibilidade está descartada.








