Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Câmara entra em semana decisiva da PEC 6x1 sem relatório concluído

Governo quer início imediato da jornada de até 40 horas, enquanto deputados defendem reduzir uma hora este ano, duas em 2027 e uma em 2028

24/05/2026 06:28, atualizado 24/05/2026 15:34
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Sem relatório concluído, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 entra na última semana do calendário de votação estipulado na Câmara dos Deputados. Embora a análise em plenário esteja prevista para quinta-feira (28/5), persistem dúvidas sobre a transição para a jornada de 40 horas semanais com dois dias de folga.

A indefinição atrasou a análise na comissão especial, inicialmente prevista para 20 de maio. Pelo cronograma original, o texto seguiria para a etapa seguinte seis dias depois, com votação final em 27 de maio.

O relator, Leo Prates (Republicanos-BA), deverá apresentar seu parecer final neste domingo (24/5) ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que, por sua vez, deverá se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, na segunda-feira (25/5), para bater o martelo sobre quando a nova jornada de trabalho passará a valer. A comissão especial agendou a leitura do parecer na tarde de segunda-feira.


Além da redução da jornada, veja outros pontos da PEC

  • Veto à redução salarial, com previsão de punições para empregadores que descumprirem a regra.
  • Fortalecimento às convenções coletivas, o que pode abrir caminho a outras jornadas específicas para alguns segmentos, como a escala 12×36 e 4×3.
  • Quem ganhar até dois tetos de benefícios do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), que hoje soma cerca de R$ 16.900, com carteira assinada, não estará sujeito a escala ou jornada de trabalho, à exceção do funcionalismo público.
  • A definição do teto de 40 horas semanais e a distribuição das duas folgas podem ser definidas por média mensal ou convenção coletiva.

A transição ainda é o ponto de maior discussão sobre a PEC. Deputados defendem apresentar um prazo máximo de até 3 anos – uma hora já este ano, duas no ano que vem e uma hora em 2028 –, para que os empregadores apliquem a diminuição de quatro horas da atual jornada.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Em entrevista ao programa Sem Censura, da EBC, Lula defendeu uma redução imediata, mas admitiu que o governo não tem força para impor a ideia ao Congresso, por isso precisará negociar. Por outro lado, sinalizou o embate direto com deputados que objetem a redução da jornada: “Vamos mostrar para o povo quem é quem neste país”.

“Não dá para aceitar quatro anos para fazer meia hora por ano, uma hora por ano. Ou seja, aí é brincar de fazer redução”, disse o petista.

Essa estratégia tem causado atritos entre o governo e o Congresso no passado, como na tramitação da chamada PEC da Blindagem, e é vista com ressalvas pelo relator Leo Prates. O parlamentar se reuniu com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que teria sugerido deixar a transição para o projeto de lei das especificidades.

Boulos veio [e disse]: ‘Faz assim, já que você está convicto da transição, você bota o dispositivo constitucional remetendo para lei e [propondo] que a transição vai ser regulada pelo projeto de lei’. Eu falei: ‘Não vou fazer assim’”, disse em almoço na quarta-feira (20/5) com a Frente Parlamentar do Comércio e Serviços (FCS).

Prates defendeu sua posição alegando que eventual adiamento da decisão sobre a transição ocasionaria uma repercussão negativa contra ele e contra o Congresso, enquanto o governo “colheria os louros” do fim da escala 6×1.

“Estou cansado desse negócio de ‘Congresso inimigo do povo’, porque, se o Congresso faz um trabalho para preservar o país, o governo colhe os louros, o que é justo, é mérito de quem levantou a bandeira e esse foi o governo, mas a gente segura a economia que dá a arrecadação do governo. Aí não dá para eu ser Leo Prates inimigo do povo”, disse.
Câmara entra em semana decisiva da PEC 6×1 sem relatório concluído - destaque galeria
9 imagens
Ato, 6x1, manifestação
O ato reuniu trabalhadores e entidades sindicais
Ato defende mudanças na jornada laboral e melhores condições de trabalho
Mobilização de sindicatos pede fim da escala 6x1
Ato na Esplanada dos Ministérios
Dia do Trabalhador tem manifestações em todo Brasil pelo fim da 6x1
1 de 9

Dia do Trabalhador tem manifestações em todo Brasil pelo fim da 6x1

HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
Ato, 6x1, manifestação
2 de 9

Ato, 6x1, manifestação

HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
O ato reuniu trabalhadores e entidades sindicais
3 de 9

O ato reuniu trabalhadores e entidades sindicais

HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
Ato defende mudanças na jornada laboral e melhores condições de trabalho
4 de 9

Ato defende mudanças na jornada laboral e melhores condições de trabalho

HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
Mobilização de sindicatos pede fim da escala 6x1
5 de 9

Mobilização de sindicatos pede fim da escala 6x1

HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
Ato na Esplanada dos Ministérios
6 de 9

Ato na Esplanada dos Ministérios

HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
Ato reuniu centenas de pessoas na área central de Brasília
7 de 9

Ato reuniu centenas de pessoas na área central de Brasília

HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
CUT
8 de 9

CUT

HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
Mobilização pelo fim da escala 6x1
9 de 9

Mobilização pelo fim da escala 6x1

HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto

Prioridade máxima de Lula

A aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1 é uma das prioridades do governo Lula antes das eleições. O Planalto tem intensificado as negociações nos últimos dias. Ministros palacianos têm avaliado que a medida pode alavancar o desempenho eleitoral do petista nas eleições.

Na última semana, o governo ampliou as inserções comerciais no rádio e na televisão em defesa de mudanças na jornada semanal máxima de trabalho. As peças publicitárias apresentam depoimentos de brasileiros dizendo o que fariam com mais tempo livre. No dia da exibição do capítulo final da novela das 21h da TV Globo, houve blocos em que quase todas as inserções eram sobre a 6×1.

Além de ser uma bandeira de Boulos, a transição imediata é defendida pelo ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), Sidônio Palmeira. Pesquisas encomendadas pelo Planalto indicam que o eleitor pode rejeitar transições prolongadas, o que poderia reduzir o efeito eleitoral da proposta na campanha de Lula.

*Colaborou: Alice Groth