
Igor GadelhaColunas

Por que Boulos insiste que a PEC 6×1 não pode ter transição
Segundo aliados, insistência de Guilherme Boulos contra transição para redução da jornada na PEC 6×1 mira além de ganhos políticos
atualizado
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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, tem sido uma das vozes mais insistentes no governo Lula contra um período de transição para a redução da jornada de trabalho prevista na PEC 6×1.
O motivo da insistência de Boulos, segundo aliados, vai além dos ganhos políticos para Lula, caso a proposta entre em vigor já em 2026. O ministro teme que haja retrocessos na legislação aprovaa durante a transição.
O temor de Boulos é de que, se a redução da jornada demorar dois ou três anos para começar a valer, um Congresso com perfil mais conservador eleito em 2026 tenha tempo suficiente para promover mudanças na proposta.
Por esse motivo, Boulos tem defendido que a redução da jornada de trabalho das 44h para 40h semanais passe a valer já em 2026, com um curto período de adaptação das empresas para implementação das novas regras.
Na Câmara, porém, deputados discutem um texto prevendo o início imediato da escala 5×2 e a diminuição gradual da jornada de trabalho. A ideia seria cortar apenas uma hora em 2026 e as outras três até 2029.
O incômodo dos deputados com Boulos
Como mostrou a coluna, deputados da comissão da PEC 6×1 têm demonstrado incômodo com a postura “bélica” de Boulos. Especialmente em relação à posição do ministro sobre o período de transição.
Para uma ala da comissão, seria compreensível Boulos defender de forma incisiva o fim da escala 6×1, como forma de trazer ganhos políticos para Lula. A avaliação, porém, é de que o ministro tem ido “acima do tom”.





