
Igor GadelhaColunas

O incômodo de deputados com Boulos no debate da PEC 6×1
Integrantes da comissão especial que analisa a PEC do fim da escala 6×1 reclamam que Guilherme Boulos tem ido “acima do tom” nos debates
atualizado
Compartilhar notícia

Deputados da comissão especial que debate a PEC do fim da escala 6×1 têm expressado, nos bastidores, incômodo com a postura do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, em relação ao tema.
Segundo parlamentares, Boulos estaria repetindo a estratégia de adotar uma postura “bélica” na defesa da pauta, mesmo comportamento utilizado pelo ministro nos debates sobre a regulamentação dos aplicativos de entrega.
Para uma ala da comissão, seria até compreensível Boulos defender de forma incisiva o fim da escala 6×1, como forma de trazer ganhos políticos para Lula. A avaliação, porém, é de que o ministro tem ido “acima do tom”.
A reclamação é de que Boulos vem passando do ponto, especialmente ao falar do período de transição para a redução da jornada semanal de trabalho, das atuais 44 horas para 40 horas.
Boulos defende publicamente que a mudança seja adotada de imeditado. Já uma parte da comissão tenta encontrar um meio-termo, com a adoção de até quatro anos para reduzir a jornada.
Hoje, a proposta considerada mais aceitável na comissão é um meio-termo para a transição: adoção imediata da escala 5×2, com redução de uma hora na jornada e mais três anos para alcançar as 40 horas semanais.
Membros da comissão apontam que a postura do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, tem sido mais colaborativa e avaliam que essa postura poderia ser adotada por Boulos na reta final das negociações.
Maturidade no debate
Por outro lado, interlocutores do ministro dizem que as críticas sobre a posição do ministro fazem parte do embate político. E que Boulos tem frisado, nos bastidores, que é necessário maturidade para fazer o debate no Congresso.
Outro ponto de destaque de aliados é que o objetivo de Boulos não é de apenas fazer o embate eleitoral, e que o fim da escala 6×1 é uma pauta defendida por ele há tempos, e que não pode correr o risco de retrocessos com uma transição longa.





