BRB achou e-mails falsos e cliente com 124 anos em carteiras do Master

Relatório produzido por auditores do BRB trouxe indícios de que carteiras de crédito do Master eram falsas, mas continuaram a ser compradas

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
fachada-do-banco-de-brasilia-brb-no-centro-empresarial-cnc-regiao-central-de-brasilia—metropoles-5
1 de 1 fachada-do-banco-de-brasilia-brb-no-centro-empresarial-cnc-regiao-central-de-brasilia—metropoles-5 - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Um contratante de crédito consignado com 124 anos, e-mails inexistentes, dados duplicados e informações falsas. Tudo isso constava de um relatório de auditoria interna produzido pelo Banco Regional de Brasília (BRB), com data de 4 de abril de 2025. O documento já dava indícios de que as carteiras de créditos consignados adquiridas do Banco Master, de Daniel Vorcaro, eram falsas. O que não impediu que o BRB continuasse a comprar tais carteiras até o mês de maio.

O documento, segundo reportagem do Estadão, foi produzido por um grupo de trabalho que o BRB formou para analisar os créditos comprados do Master.

Saltou aos olhos dos auditores a forma tosca como os dados foram “organizados”: e-mails falsos e datas de nascimento fictícias em uma planilha simples com nomes, CPFs e dados dos contratantes dos créditos, no lugar de um sistema informatizado e precavido contra manipulações.

Nas planilhas, há um contratante de crédito consignado cuja data de nascimento é 1º de janeiro de 1901. Ou seja: ele teria 124 anos.

“Preenchimento de dados inverídicos, realizados para evitar campos em branco, incluindo inserções manuais como a data de nascimento em 01 de janeiro de 1901 ou o endereço de email fictício ‘naotem@hotmail.com’. Este procedimento compromete a integridade e precisão dos dados coletados”, diz o relatório.

Clientes homônimos e contratos iguais de crédito consignado, indicativos da fabricação de dados somente para a captação de recursos do BRB, também estavam nas planilhas.

Munidos com as informações, os auditores do BRB procuraram o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e solicitaram a checagem nos dados dos contratantes de créditos consignados. Quando o Serpro verificou os CPFs, descobriu que muitos deles não correspondiam a nenhum contrato de consignado existente, o que reforçou o indício de irregularidades.

Havia, ainda, uma “alta incidência de reclamações” dos clientes que apareciam na base de dados de créditos consignados e que diziam nunca terem contratado o produto.

Relatório não seguiu adiante

O relatório dos auditores foi entregue ao Comitê de Auditoria do BRB, à época presidido por Marcelo Talarico, considerado homem de confiança de Paulo Henrique Costa, então presidente do banco.

Mas não chegou ao Conselho de Administração do BRB, cujas atas de reuniões não reportam qualquer tipo de debate sobre o assunto. Questionado, Talarico não se manifestou.

O relatório também não foi enviado aos órgãos de investigação na época. Ele foi entregue à Polícia Federal apenas no final de 2025, após a deflagração da Operação Compliance Zero.

Em nota divulgada por sua defesa, Paulo Henrique Costa negou irregularidades. Leia a nota:

“O relatório do grupo de trabalho constituído pelo BRB em 2025 foi apresentado ao Comitê de Auditoria em 22/05/2025, momento em que as compras de carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master e originadas pela Tirreno já haviam sido suspensas desde 15/05/2025.

Ao tomar conhecimento da existência das dúvidas sobre a integridade dessas carteiras, o ex-presidente Paulo Henrique Costa deu conhecimento ao Banco Central do Brasil em 25/05/2025, exigiu a ampliação das verificações nessas carteiras, a contratação de uma auditoria independente, a apresentação de garantias adicionais pelo Banco Master e a substituição dessas carteiras.

A atuação do ex-presidente em conjunto com a equipe do BRB, sob supervisão do Banco Central, fez com que a maior parte desses ativos fosse substituída por outros ativos, sendo que, no momento do seu afastamento, permaneciam pendentes de substituição aproximadamente R$ 2,5 bilhões, que contavam com garantias adicionais de R$ 10,5 bilhões.

Além disso, as operações de cessão de crédito haviam gerado receitas de R$ 6,0 bilhões ao BRB até aquele momento.

O Conselho de Administração do BRB tinha pleno conhecimento das aquisições das carteiras de crédito, das discussões sobre substituições de carteiras e da estratégia de atuação, conforme pode ser verificado em suas atas”.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?