Brasileiros que tiveram auxílio de R$ 600 negado buscam outras rendas

Mais de 30 milhões de trabalhadores não conseguiram acessso ao benefício e têm que batalhar para fechar as contas nesse período de Covid-19

atualizado 15/05/2020 23:41

Arquivo Pessoal

Em uma tentativa de amenizar a crise econômica gerada pelo novo coronavírus, o governo federal anunciou o auxílio emergencial de R$ 600 aos trabalhadores que perderam renda em decorrência das medidas de contenção à Covid-19. Porém, dos 97 milhões de brasileiros que tentaram o benefício, 32,8 milhões tiveram o pedido negado e vivem um cenário de incertezas, sem conseguir fechar as contas ao fim do mês.

Cristiano Franco (f0to em destaque), de 38 anos, faz parte da estatística dos que ficaram desempregados com a crise e tiveram o auxílio emergencial negado. Ele vive em uma casa no Núcleo Rural de Samambaia (DF) com a esposa grávida, a filha de dois anos,  uma sobrinha de três anos, o pai idoso e três irmãos. Todos estão desempregados e somente a esposa conseguiu o benefício.

Para sair do vermelho, Franco tem tentado serviços esporádicos de pedreiro e auxiliar de pizzaiolloo.

“Eu me inscrevi e tive auxílio negado. Tive que continuar fazendo uns bicos de pedreiro durante o dia e cozinheiro à noite. O problema é que eles [patrões] só pagam R$ 40 por dia. Estou tentando juntar pelo menos R$ 70, por conta da minha filha, que já está pra nascer”, desabafou. A segunda menina do casal tem parto programado para o início de junho.

Apesar de ter conseguido uma fonte de renda, Franco teme uma possível demissão por conta da baixa demanda no período.

“Eu sei que vou ter que trabalhar mais. A tendência do mercado é cair o emprego. Eu ja estou sentindo que na pizzaria está vendendo menos. A demanda vai baixando e daqui a pouco o patrão me dispensa”, lamentou.

Os irmãos de Franco também estão desempregados. Enquanto a esposa e a irmã cuidam das filhas e do pai ou outros fazem “bicos” para ajudar nas contas. “Um fica na BR esperando caminhão para descarregar e o outro tenta um bicos de pintura”, disse. “A gente pediu o auxílio por necessidade mesmo, sabe?”, finalizou.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, a pandemia obriga os trabalhadores a arrumarem outras formas de ganhar dinheiro sem sair de casa.

Para o especialista, é preciso de muito planejamento e organização, mas é possível arrumar outras formas de trabalho. “Parece difícil, pois a crise está horrível, mas é possível ter renda extra na crise. Na maioria dos orçamentos pessoais e familiares é possível conseguir uma redução de 20% das despesas”, disse.

Ovos de Páscoa no Dia dos Namorados

A criatividade tem sido a principal aliada aos brasileiros que tentam viver sem trabalho e auxílio. A estudante Débora Beatriz Carvalho, de 21 anos, foi demitida do seu emprego por conta de um corte de gastos da empresa e teve benefício negado, sem justificativa.

Moradora de Taguatinga (DF), ela, que nunca antes cozinhou, se viu obrigada a fazer ovos de páscoa para conseguir alguma forma de renda

“Eu sabia que ia ser dureza. Quando soube que a empresa faria uma limpa dos funcionários, eu já pedi o auxílio. O aviso do pedido negado chegou quando eu já estava desempregada”, contou, ao Metrópoles.

Débora fez uma campanha nas redes sociais para vender os ovos e conseguiu mais lucro do que o planejado inicialmente. Agora, ela se preocupa com as contas dos próximos meses.

“E nos meses que não tem Páscoa, o que posso fazer? Como vou me virar? Já entreguei currículo, me cadastrei em sites de emprego, mas não dá para achar um emprego no meio da pandemia. Estou aí na esperança de acontecer alguma coisa. Quem sabe eu não consiga vender doces para o dia dos namorados?”, desabafou.

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Esperança no fim do túnel

O especialista Reinaldo Domingos reitera que organização das finanças e planejamento de gastos é o principal passo para não terminar o mês no vermelho. Ele recomenda que o período de isolamento social seja aproveitado com uma limpa na casa e a venda de produtos pouco utilizados pela família. Assim como fez o pizzaiollo Cristiano, o presidente da entidade considera serviços paralelos como forma de renda.

“É válido considerar trabalhos pontuais que podem ser principalmente de entregas para quem tem carta de moto ou mesmo de carro. Também tem pessoas que estão desenvolvendo produtos ou mesmo utilizando o network para realizar vendas de produtos, indicou.

Confira algumas dicas selecionadas pelo especialista para não cair no vermelho:

  • Planejamento de gastos
  • Venda o que não usa mais ou não é tão importante. Faça uma faxina em casa, veja que pode ter roupas novas, eletros-eletrônicos que funcionam.
  • Busque fontes de renda que não exijam contratação, como os motoristas de aplicativo.
  • Descubra suas habilidades: quem sabe você não cria um produto ou fabrica doces para venda?
  • Estabelecimento de atividades essenciais estão a procura de funcionários. Se informe!
  • Considere oferecer serviços on line na sua área. Assim você não sai do mercado e continua suas atividades.

Teve auxílio negado? Ainda há esperança!

Brasileiros que tiveram o auxílio emergencial negado podem contestar a decisão pelo próprio aplicativo ou site da Caixa Econômica Federal. 

O aplicativo disponibiliza a possibilidade de nova solicitação ou contestação do resultado da análise efetuada pela Dataprev.

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