Brasileiro preso na Rússia chega ao país e é recebido por Bolsonaro

Robson foi detido em 2019 por transportar Mytedom 10mg, medicamento liberado no Brasil, mas considerado narcótico naquele país

atualizado 06/05/2021 0:00

chegada de Robson Nascimento de Oliveira, que ficou preso por entrar na Rússia com medicamento proibido naquele paísAline Massuca/Metrópoles

Rio de Janeiro – Desembarcou no Aeroporto Internacional do Galeão no Rio, na noite desta quarta-feira (5/5), Robson Nascimento de Oliveira, ex-motorista dos familiares do volante Fernando, ex-jogador do Spartak Moscou, time da Rússia, e atualmente no Beijing Guoan da China. Na chegada, ele foi recebido pelo presidente Jair Bolsnaro (sem partido), que intercecedeu junto ao governo russo pela sua soltura.

Ao lado de Robson, Bolsonaro disse: “Um homem que sofreu. Saiu do Brasil para trabalhar. Levou medicamento que pode no Brasil. Sempre demos valor à liberdade. Fiz contato com Putim e ele só podia assinar o indulto depois da condenação de 20 anos. Putim cumpriu a lei. Fomos buscar o indulto dele e aos poucos nos aproximamos do último domingo, Páscoa deles”.

“A embaixada retirou ele do presídio. Ele foi fuzileiro naval, sabe a vida da caserna. Um homem que pra gente era inocente. Ele agora retornou ao Brasil. Não é momento de mágoa”, completou.

Robson já volta empregado ao Brasil. Ele vai trabalhar como motorista para o irmão de Bolsonaro, Hélio. “Temos que acreditar no nosso país. Quando o presidente entrou minha vida, melhorou bastante. Quero conhecer meu neto que ainda não conheço. Não tenho sentimento de rancor. Tudo foi difícil, perdi 20 quilos. Não sabia que tinha medicamentos na mala, como poderia saber?”, disse.

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O brasileiro foi preso na Rússia, em março de 2019, acusado de transportar duas caixas de Mytedom 10mg (cloridrato de metadona), medicamento liberado no Brasil, mas considerado narcótico naquele país.

A defesa de Robson justificou que a encomenda era para o sogro do volante Fernando, que estava na Rússia e sofre de dores crônicas.

A situação do ex-motorista virou negociação diplomática entre os governos brasileiro e russo. Uma carta assinada pelo presidente brasileiro, no fim de outubro de 2020, pedia a Vladimir Putin perdão a Robson.

O documento foi levado a Moscou pessoalmente pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS). Segundo Bolsonaro, o volante Felipe Melo, jogador do Palmeiras, também teve papel fundamental nas negociações.

Vanda do Nascimento Oliveira, 74 anos, mãe de Robson, comemorou a chegada do filho: “Presente de ouro. Graças a Deus. Ele quando saiu me ligou e falou ‘estou solto. Estou feliz como pinto no lixo’. Ele pediu para o filho um churrasco e vai ter hoje”, afirmou a senhora, orgulhosa de já ter tomado as duas doses da vacina contra a Covid-19.

“Justiça foi feita”

“É igual nascimento da criança. Foi uma injustiça, uma coisa que ele não fez e pagou caro. Com a luta que o advogado [Olímpio Soares] tem feito, o dele (Bolsonaro) foi só um rescaldo. Falo o que sinto. A justiça para ele foi feita”, destacou Dona Vanda.

Robson Santos, 28 anos, filho do ex-motorista, ressaltou que foi muita luta e sofrimento. “O mais revoltante é que era injusto. Falei com ele por telefone e ele está muito feliz. Ele pediu um churrasco pra gente comemorar esta vitória. Não foi bem justiça, porque os anos que ele passou lá não há dinheiro no mundo que pague. Mexeu com a vida de todo mundo. Houve o nascimento do neto dele que ele não acompanhou. Então, não houve justiça”, observou.

Marcelo Ramos, 57 anos, presidente do motoclube Prisioneiros da Liberdade, do qual Robson é vice presidente, falou: “O mundo tem certeza que a justiça foi feita. Ele teve perdão judicial”.

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