Brasil busca autossuficiência em diesel e gás de cozinha, diz ministro
Brasil ainda depende de importações e fica exposto à volatilidade internacional. Governo planeja ampliar refino e reduzir vulnerabilidade
atualizado
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O governo federal planeja avançar nas ações para tornar o Brasil autossuficiente na produção de diesel e gás de cozinha (GLP). A informação foi divulgada, nesta quarta-feira (8/4), pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante evento no Rio de Janeiro.
A fala ocorre em meio às discussões sobre os impactos da alta do petróleo no mercado interno. A estratégia faz parte de um conjunto de medidas para reduzir a dependência externa e diminuir a exposição do país à volatilidade internacional de preços.
Hoje, o Brasil ainda depende de importações para atender a demanda por derivados, especialmente do diesel. Essa dependência ficou mais evidente com a recente alta das cotações internacionais, impulsionada por tensões geopolíticas, que pressionou os preços no mercado doméstico.
Segundo Alexandre Silveira, a meta é fortalecer a capacidade de refino no país e ampliar a produção interna desses combustíveis, reduzindo a necessidade de compras no exterior.
“O Brasil é um dos poucos países no mundo que pode, com uma pequena mudança de estratégia, se tornar completamente independente”, disse ele durante o Latam Energy Week, no Rio de Janeiro.
A avaliação é que a falta de autossuficiência em derivados torna o Brasil mais vulnerável a choques externos, com impacto direto sobre a inflação, custos logísticos e orçamento das famílias.
Medidas do governo
A discussão ocorre em um momento em que o governo já adotou medidas emergenciais para conter os efeitos da alta dos combustíveis. Entre elas, estão subsídios temporários ao diesel e ao gás de cozinha, com o objetivo de garantir o abastecimento e suavizar o repasse de preços ao consumidor.
No caso do diesel, o pacote inclui incentivos tanto para produtores quanto para importadores, buscando ampliar a oferta no mercado interno e reduzir pressões inflacionárias.
Já para o gás de cozinha, o governo criou uma subvenção para baratear o produto importado e evitar impactos mais fortes sobre as famílias, especialmente as de menor renda.
A busca pela autossuficiência também dialoga com planos da Petrobras de ampliar a produção de diesel nos próximos anos.
O parque de refino da estatal responde por cerca de 70% da demanda nacional, e a companhia estuda aumentar esse percentual com novos investimentos, com a possibilidade de atingir a autossuficiência no médio prazo.
Para o governo, avançar nessa direção é uma forma de dar maior previsibilidade ao mercado interno e reduzir a transmissão de crises internacionais para os preços domésticos.
