
Bolsonaro é preso sem anunciar sucessor e bagunça disputa da direita
Prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro no sábado (22/11) embaralhou corrida por sua sucessão, fortalecendo posição do filho Flávio Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso no sábado (22/11), antecipando em alguns dias sua ida para um regime fechado (ainda preventivo), por causa de um suposto surto que o levou a tentar romper sua tornozeleira eletrônica. Tal saída se deu fora do roteiro desenhado por aliados, sem o esperado anúncio ou indicativo concreto de quem é seu favorito para substituí-lo no papel de líder da direita, o que aumentou o clima de disputa para quem assumirá o posto de candidato conservador à Presidência em 2026.
A detenção, da forma como aconteceu, pegou seus colegas e seu eleitorado desprevenidos. A tornozeleira violada com ferro quente virou o assunto no país após a divulgação das imagens. Nos bastidores, caciques da direita e da esquerda calculavam que Bolsonaro só seria preso em regime fechado a partir da próxima segunda-feira (24/11), quando acaba o prazo para recursos na ação penal da tentativa do golpe, e durante um curto espaço de tempo. O capitão, no roteiro dos aliados, ficaria uma semana numa cela, e depois voltaria à prisão domiciliar.
Nesse cenário, o papel desejado por aliados para Bolsonaro seria o de regente oculto da dança das cadeiras da direita na eleição de 2026. A aposta era demonstrar ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes bom comportamento e problemas de saúde incompatíveis com o regime fechado. De casa, ele continuaria inelegível e impedido de fazer campanha, mas ainda daria ordens à oposição e facilmente exerceria influência em conflitos sobre candidaturas nos estados.
Entre o ensaio e a realidade, porém, houve a violação da tornozeleira eletrônica. Bolsonaro foi preso num sábado, e seus aliados viram maldade no fato de Moraes “escolher” o dia 22. Saiu da sua casa, em Brasília (DF), sem sequer fazer um derradeiro discurso aos apoiadores que fariam a vigília convocada na noite anterior pelo filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e que foi uma das justificativas para a prisão.
Os candidatos a substituto
Há pelo menos cinco nomes em avaliação para candidatura da direita em 2026 com o apoio do Centrão. São eles os governadores: Eduardo Leite (PSD-RS), Ratinho Júnior (PSD-PR), Ronaldo Caiado (União-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Era uma disputa a olhos vistos, mas sem maiores caneladas até então. Esperava-se que Bolsonaro escolhesse um desses nomes para representá-lo até março do ano que vem.
Contudo, a prisão, avaliam aliados do ex-presidente, colocará em evidência o senador Flávio Bolsonaro. Como a vigília convocada por ele foi um dos motivos citados na decisão de Moraes pela prisão, espera-se que o parlamentar seja colocado de vez como presidenciável. Até o momento, ele foi o filho que mais se preservou no embate com o STF.
No mínimo, dizem lideranças do PL, caberia a Flávio o papel de vice numa chapa que queira amarrar o eleitorado bolsonarista. No entanto, tal composição não é bem-quista pelo Centrão – que, para embarcar na chapa, também exige um representante como vice e não quer herdar a rejeição que o sobrenome Bolsonaro carrega no eleitorado.
O temor entre os caciques da direita é que, sem a possibilidade de maiores intervenções ou apelos de Jair Bolsonaro, seu filho 03, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), crie mais atritos com os candidatos à sucessão do pai.
Recentemente, ele trocou farpas públicas com Tarcísio por entender que o governador de São Paulo se aproveitava do mau momento do ex-presidente para se cacifar como presidenciável em 2026. No ápice da disputa, Eduardo se colocou como candidato na ausência de Bolsonaro.

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