Bolsonaro confirma Auxílio Brasil de R$ 400: “Ninguém vai furar teto”

Um dia após cancelamento do anúncio dos detalhes do novo programa, que substituirá o Bolsa Família, presidente ratifica valor

atualizado 20/10/2021 14:36

Adalberto Marques/ Aescom MDR

Enviada especial ao Ceará – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou, na manhã desta quarta-feira (20/10), que o novo programa Auxílio Brasil terá o valor de R$ 400. A divulgação dos detalhes estava programada para o dia anterior, mas acabou cancelada de última hora.

“Ontem, nós decidimos, como está chegando ao fim o auxílio emergencial, dar uma majoração para o antigo programa Bolsa Família, agora chamado Auxílio Brasil, de R$ 400”, informou o mandatário da República.

Segundo o titular do Palácio do Planalto, parte da imprensa criticou a medida, dizendo que é programa assistencialista. “Hoje em dia, a média do Bolsa Família é de R$ 192, e a média do Auxílio Emergencial é de R$ 250. Com a política do ‘fica em casa, a economia a gente vê depois’, estamos agora pagando conta alta na inflação”, assinalou.

O chefe do Executivo federal citou, mais uma vez, a questão do teto de gastos. “Temos a responsabilidade de fazer com que esses recursos venham do próprio orçamento da União. Ninguém vai furar teto nem fazer estripulia no orçamento”, assegurou.

“Seria extremamente injusto deixar 17 milhões de pessoas com valor tão pouco do Bolsa Família. Quero dizer a vocês que sabemos também que muitas das necessidades que vocês têm não há como resolvermos tudo de uma hora para outra, mas vamos dar o exemplo, trabalhando para todo o Brasil”, disse Bolsonaro.

O presidente também falou sobre a CPI da Covid-19, cujo relatório foi entregue nesta quarta-feira pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Apoiadores do presidente que acompanhavam o discurso de Bolsonaro gritaram “Renan, vagabundo”. Em seguida, Bolsonaro disse: “A voz do povo é a voz de Deus”.

“Como seria bom se aquela CPI tivesse fazendo algo de produtivo para o nosso Brasil. Tomaram tempo. Nada produziram a não ser o ódio e rancor entre alguns de nós. Mas sabemos que não temos culpa de absolutamente nada, fizemos a coisa certa desde o primeiro momento”, apontou o chefe do Executivo.

Jornada das Águas

As declarações de Bolsonaro foram feitas durante o terceiro dia da Jornada das Águas, em Russas, no Ceará. O evento é uma iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Regional que percorrerá 10 estados do Brasil por 10 dias, com entrega de obras e anúncios relacionados à melhoria do abastecimento de água no sertão do país.

A inauguração da última obra de grande porte do Eixo Norte da Transposição do Rio São Francisco está prevista para esta quinta-feira (21/10). O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, pontuou que a transposição começou no início dos anos 2000.

“Nós estamos em 2021. Nesse período, o valor da obra aumentou quase quatro vezes, as denúncias de superfaturamento e corrupção e mau uso do recurso público se acumularam”, criticou.

Nesta quarta-feira, o presidente e o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, lançaram o edital para construção do Ramal do Salgado – canal acessório Eixo Norte da Transposição do Rio São Francisco –, que deve beneficiar 4,7 milhões de pessoas em 54 cidades do Ceará.

A infraestrutura do Ramal do Salgado terá 34,3 quilômetros de extensão e será responsável pelo transporte de água do Ramal do Apodi, na Paraíba, até o leito do Rio Salgado. O projeto orçado em R$ 600 milhões, tem, por exemplo, uma estrutura de controle, 13 segmentos de canal, três aquedutos, um sifão e um túnel.

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Novo fundo

Bolsonaro e Rogério Marinho também anunciaram a criação do Fundo de Desenvolvimento Regional Sustentável. Os recursos dessa fonte devem ser utilizados para estruturação e desenvolvimento de projetos de concessões e parcerias público-privadas da União, dos estados e municípios, com prioridade para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O Fundo de Desenvolvimento Regional Sustentável é criado a partir da reestruturação do Fundo Garantidor de Infraestrutura (FGIE) e utilizará os recursos atualmente disponíveis, cerca de R$ 750 milhões.

A secretaria de Fomento e Parcerias com o Setor Privado, do MDR, Verônica Sánchez, disse que as parcerias público-privadas são benéficas para os cofres públicos: “A cada R$ 1 milhão investido pelo poder público em projeto, há a expectativa de retorno da ordem de R$ 100 milhões”.

*Por questões de logística, a repórter viajou em aeronave da FAB. O Metrópoles arcou com todas as despesas de alimentação e hospedagem.

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