Auditores da UE aprovam controle sanitário do Brasil em aves e mel
Apesar da avaliação positiva, retomada das importações pela União Europeia ainda depende de avaliação mais criteriosa do bloco

Os auditores da União Europeia (UE) que realizaram uma inspeção sanitária no Brasil, nesta semana, concluíram a missão com avaliação positiva sobre o controle nacional no uso de antimicrobianos em aves e mel. A impressão dos fiscais, contudo, não significa a retomada da exportação dos produtos brasileiros para o bloco, que ainda depende de uma análise mais criteriosa.
Nas redes sociais, o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), André de Paula, comemorou a notícia:
“A auditoria realizada pelas autoridades sanitárias da União Europeia em cadeias de aves e mel no Brasil concluiu pela aprovação de nossos produtos”, disse. “É demonstração efetiva de que nossos controles de sanitários foram considerados satisfatórios. Mais do que isso: confirma a eficiência do sistema oficial de defesa agropecuária brasileiro e o compromisso do nosso país com a segurança, a qualidade e a sustentabilidade de produtos de origem animal”, completou.
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A avaliação dos fiscais ainda é insuficiente para determinar a retomada das importações dos produtos brasileiros pela UE. O veto do bloco entrou em vigor nessa quinta-feira (3/9). O rito de inspeções sanitárias culmina na produção de um relatório com avaliações sobre o processo observado.
Os técnicos ficaram pouco mais de uma semana no Brasil e acompanharam a cadeia de aves e mel que, geralmente, exporta para o bloco. O objetivo era avaliar a condução e controle sobre o uso de antimicrobianos nessas cadeias, para descartar ou reforçar as suspeitas que levaram à suspensão.
Fontes do governo brasileiro que acompanham o processo e que foram consultadas sob reserva pelo Metrópoles relatam que os inspetores demonstraram satisfação pelo processo. Os fiscais admitiram que é necessário fazer alguns ajustes, mas avaliaram positivamente o controle observado no Brasil.
A retomada das importações, contudo, depende de um aval da Comissão Europeia, que só deve ser concluído nas próximas semanas. O bloco deve chegar a um veredito depois da análise do relatório produzido pelos auditores que vieram ao Brasil.
A suspensão da UE
Em maio, a União Europeia publicou uma lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco e deixou o Brasil de fora da relação. Apesar da data do anúncio, a suspensão só foi efetivada nessa quinta.
Sem sucesso na tentativa de reverter o veto, o Brasil agora fica impossibilitado de exportar itens como carne bovina, frango, carne equina, pescado, mel e tripas a países do bloco. O governo, agora, busca formas de mitigar o impacto da medida na indústria nacional.
Uma das principais apostas está na reversão de apenas uma parte dos vetos, como já havia antecipado o Metrópoles. Após a missão desta semana, a expectativa é que o comércio de aves e mel com países europeus seja retomado.
Isso, porque a maneira efetiva de reverter a suspensão é demonstrar, através do acompanhamento de todo o ciclo de vida do animal, do nascimento ao abate, como é feito o controle do uso de antimicrobianos na cadeia sem infringir a regulação europeia. No caso das aves e mel, esse processo é mais curto e pôde ser acompanhado pelos fiscais que estavam no Brasil esta semana.
Já em relação à carne bovina, a expectativa é mais baixa, porque o monitoramento demanda um período significativamente maior do que em outras cadeias produtivas, o que pode acabar por inviabilizar a reversão por meses e até anos.



