Após tombo de 24,5%, ações da Vale têm recuperação na bolsa

O papel acelerou os ganhos depois que o Bradesco BBI manteve a recomendação de compra de opções da empresa

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 29/01/2019 13:52

Após perder R$ 71 bilhões em valor de mercado no pregão de segunda-feira (28/1), no primeiro dia útil depois da tragédia em Brumadinho (MG), a Vale teve uma manhã de recuperação nesta terça-feira (29/1) com as ações ON em alta de 4,11%. O papel acelerou os ganhos, depois que o Bradesco BBI manteve a recomendação de compra do papel, embora tenha baixado em 25% o preço-alvo do papel, para R$ 53,50, o que ainda implica numa valorização de 26% em relação ao fechamento de segunda.

O analista Rafael Passos da Guide Investimentos destaca, no entanto, que o quadro ainda é de incertezas e não descarta pressão de baixa no curto prazo. “A queda de ontem (de quase 25%) foi muito além da perda que a empresa teve quando houve o acidente com a Samarco (de -7,0%), então é natural que hoje tenhamos uma correção. Perder R$ 71 bilhões em um dia é realmente muito excessivo”, pontua o analista.

A ações da mineradora, com as da Bradespar – uma das principais acionistas da Vale -, representam 11,39% da carteira do Ibovespa. Por isso, as oscilações dos papéis da empresa afetam também o resultado do índice da Bolsa de São Paulo.

A mineradora continua a receber notícias contrárias. De manhã, uma ação da Polícia Federal, Ministério Público, Polícias Civil e Militar que apura a responsabilidade sobre o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho prendeu dois funcionários da mineradora e três engenheiros terceirizados. Antes disso, a empresa disse que estava contribuindo com as investigações.

A manhã desta segunda foi de recuperação também para os ADRs (recibos de ação negociada no exterior, equivalente ao papel da empresa) negociado em Nova York, cuja alta chegou a superar os 5% no pré-mercado, após perdas de 18% na sessão anterior e de 8% na sexta-feira.

Embora a questão de multas, custos judiciais, bloqueios de caixa e a própria imagem da Vale ainda gerem cautela, os investidores repercutem também que a produção de minério afetada é pequena em relação ao total que a empresa produz.

Privatizações
As ações da Eletrobrás foram o grande destaque na primeira parte dos negócios, liderando as altas do Ibovespa, com a ON com acréscimo de 8,25% e PNB com avanço de 6,94%, depois que o secretário-geral de Privatizações do Ministério da Economia, Salim Mattar, disse que a intenção do governo em um primeiro momento é capitalizar a Eletrobrás e, em seguida, sair do controle.

“A Eletrobrás tem uma série de desafios e a privatização não deve sair em 2019, mas o que muda é que temos visto por parte do governo sinalizações de que de fato uma capitalização deve ser feita. E essa sinalização é positiva porque tira a interferência política na gestão da empresa, deixa ela mais eficiente e gera expectativa de rentabilidade”, explica Passos, da Guide Investimentos.

Se beneficiando das notícias sobre privatizações, as ações da Sabesp também estiveram entre as maiores altas do Ibovespa, com avanço de 5,05%. No mesmo evento, Mattar disse que a meta é superar “em 25% a 50%” o montante que o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em Davos que pretende arrecadar com as vendas de estatais, US$ 20 bilhões.

Luiz Roberto Monteiro, operador de mesa institucional da Renascença, destaca que embora a Sabesp esteja sob o comando do governo de São Paulo, a fala categórica de Mattar é vista como positiva, uma vez que o governador João Doria é “bastante próximo ao governo Bolsonaro”, apontou.

Por volta das 12h30, o Ibovespa subia 1,23%, aos 96.622 pontos. O giro financeiro é de R$ 4,96 bilhões, com previsão de chegar a R$ 16,7 bilhões até o final do pregão.

Últimas notícias