Após prisão, idas de Bolsonaro ao médico não mobilizaram grandes atos
As manifestações ocorreram após nova ida de Bolsonaro ao hospital, que levou uma queda na cadeia na última terça-feira (6/1)
atualizado
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Nos últimos dias, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) somou mais uma ida ao Hospital DF Star, em Brasília. Na quarta-feira (7/1), Bolsonaro realizou exames após sofrer uma queda em sua cela, na Superintendência da Polícia Federal (PF). Esta foi a quinta vez, desde agosto, que Bolsonaro deixou a prisão para receber atendimento hospitalar — todas as ocasiões marcadas por baixa mobilização de apoiadores em frente à unidade de saúde.
Em agosto de 2025, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro passou a ficar em prisão domiciliar. Em novembro do mesmo ano, ele foi condenado e preso na superintendência da PF.
Bolsonaro cumpre a pena de 27 anos e 3 meses após ser condenado, em 25 de novembro de 2025, por liderar a trama golpista.
Relembre as idas ao hospital
- 18 de agosto de 2025: Bolsonaro, que estava em prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto, deixou sua residência pela primeira vez para exames externos.
- 14 de setembro de 2025: Deixou sua residência para passar por um procedimento dermatológico para remover lesões na pele.
- 16 de setembro de 2025: Foi levado às pressas ao hospital após sofrer queda de pressão, crise de soluços e vômito.
- 24 de dezembro de 2025: Deixou a prisão da superintendência da PF para ida ao hospital onde passou por uma cirurgia para tratar uma herniorrafia inguinal bilateral e três procedimentos para bloquear o nervo frênico e conter crises de soluço.
- 7 de janeiro de 2026: Após sofrer queda em sua cela na PF e passar por exames que constataram um traumatismo craniano leve.
As manifestações em frente ao local em que o ex-presidente cumpre pena começaram a se dispersar e não registraram grandes comoções desde o dia da prisão preventiva, em 22 de novembro de 2025. As idas ao hospital, onde há maiores chances de Bolsonaro ser visto e de receber o apoio de seus apoiadores, não obtiveram grandes mobilizações.
Naquela semana, um grupo com pouco mais de 30 pessoas se reuniu em frente ao hospital para recepcionar o ex-mandatário. Com bandeiras e mensagens de apoio, o grupo realizou orações e recepcionou Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Apesar da mobilização, após a entrada no hospital, o grupo logo se dispersou e reduziu seu número de integrantes para a saída do ex-presidente.
O cientista político Antonio Lavareda explica que Bolsonaro construiu uma máquina de comunicação nas redes que funciona muito bem para gerar engajamento emocional rápido.
“Esse modelo ajuda a maximizar a sensação de pertencimento e de mobilização simbólica, mas não prepara necessariamente o militante para ações coletivas mais custosas”, explica o especialista.
Lavareda diz que a queda no número de manifestantes também pode ser explicada pela frustração com manifestações anteriores que não “produziram efeitos políticos concretos”, o que enfraquece a crença de que a presença física em protestos possa influenciar decisões institucionais ou julgamentos.
Apesar da pouca força presencial, Lavareda reforça que isso não indica a irrelevância do movimento, mas uma mudança defensiva na lógica do bolsonarismo. A base de Jair Bolsonaro acaba priorizando a preservação de sua influência simbólica e de sua capacidade de pautar o debate.
“Ao longo do processo, houve um aprendizado estratégico da base do bolsonarismo. As derrotas, as punições, os julgamentos e as prisões terminam ensinando que a rua pode gerar custos altos sem retorno político imediato”, explica.
Influência do 8/1
O especialista relaciona as consequências dos atos de 8 de janeiro de 2023 com a tendência de baixa nas manifestações, afirmando que, nesse período, o “cálculo de risco” mudou completamente.
“As manifestações de rua agora passam a ser vistas como potencialmente criminalizáveis, dependendo do teor, do conteúdo, das faixas, dos cartazes, da retórica e de seus líderes”, explica.
Segundo Antonio, as investigações, prisões e a exposição pública também tiveram um efeito pedagógico. “A identificação dos participantes é possível, sim, ou seja, as pessoas que tiveram comportamentos extremados não vão contar com o anonimato só pelo fato de esses atos serem coletivos”, finaliza.















