Após negar problemas financeiros antes de pedir recuperação, Fictor diz que foi alvo de “especulações”
Instituição financeira que tentou comprar Banco Master alegou “prejuízo” e pediu recuperação judicial diante de uma dívida de R$ 4 bilhões
atualizado
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Um mês após ser acusado de atrasos nos pagamentos e de se acusado de não honrar compromissos com investidores, o Grupo Fictor alega que teve a “reputação afetada por especulações de mercado”. Embora em 13 de janeiro tenha negado problemas de insolvência, conforme revelado pelo Metrópoles, a Fictor entrou com pedido de recuperação judicial nesta segunda feira (2/2).
A manifestação foi divulgada pela organização depois da solicitação de recuperação feita ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Em 12 de janeiro, o Metrópoles revelou que investidores reclamavam de atrasos no pagamento de repasses prometidos pela empresa, além da impossibilidade de resgatar os valores aportados.
Patrocinador do Palmeiras, o Grupo Fictor chegou a tentar comprar o Banco Master antes da liquidação feita pelo Banco Central (BC). A instituição tentou adquirir o Master em novembro de 2025, mesmo mês em que o BC anunciou a liquidação do banco. Agora, dois meses depois, o grupo sustenta que o pedido de recuperação judicial é uma “consequência” de uma crise de liquidez “momentânea”, que teve origem na liquidação do Master.
“O pedido de recuperação judicial é consequência da crise de liquidez momentânea originada a partir de 18 de novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master”, declarou o grupo.
O plano de recuperação judicial apresenta uma dívida de cerca de R$ 4 bilhões. O Fictor pediu uma liminar para que sejam suspensas execuções e bloqueios pelo período de 180 dias, com o intuito de reduzir “o risco de corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime”.
“Nesse período, pela lei, a companhia garante o direito de negociar um plano de recuperação, prevendo novas condições e prazos de pagamento de seus compromissos, sem interromper as operações e, consequentemente, preservando mais de 10 mil empregos diretos e indiretos”, declara.
O caso do Master
Em 17 de novembro de 2025, o Grupo Fictor anunciou que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões. No dia seguinte, no entanto, o Banco Central decretou a liquidação do banco de Daniel Vorcaro.
A liquidação extrajudicial do Master foi decretada, em 18 de novembro de 2025, pelo Banco Central diante de uma investigação sobre supostas fraudes na instituição financeira. A apuração é realizada pela Polícia Federal (PF).
