Após convidar turistas, cidade da Chapada adota restrições anti-Covid

Alto Paraíso de Goiás segue recomendação do governo estadual para revezar abertura e fechamento de atividades econômicas não essenciais

atualizado 18/03/2021 17:02

Rodovia GO 239, em Goiás, na região da Chapada dos Veadeiros. Morro da Baleia ao fundoiStock

Goiânia – Um dos destinos turísticos mais frequentados na região da Chapada dos Veadeiros, no nordeste de Goiás, a cidade de Alto Paraíso adotou regras severas contra a Covid-19, depois de o governo estadual proibir cidades em calamidade de flexibilizar restrições. O comércio não essencial deve suspender as atividades até o dia 31 de março.

Depois de briga em torno do “lockdown popular”, que gerou até ameaça de morte por parte de alguns empresários contrários a fechamento espontâneo do comércio, o prefeito de Alto Paraíso, Marcus Rinco (DEM), foi obrigado a publicar decreto sobre as restrições nessa quarta-feira (17/3). A medida ocorreu 12 dias após ele permitir a flexibilização delas e realizar campanha para atrair turistas.

Pressão do governo estadual

Desta vez, o novo decreto do prefeito  também foi publicado um dia depois de o governador Ronaldo Caiado (DEM) proibir cidades em calamidade de flexibilizarem as medidas. Por isso, ao menos por enquanto, haverá revezamento de 14 dias de fechamento e 14 dias de reabertura, para os setores considerados não essenciais.

Veja a íntegra do decreto de Alto Paraíso.

Dos 246 municípios goianos, Alto Paraíso e outras 234 cidades estão no nível mais crítico em relação à doença, aponta mapa da gravidade da pandemia atualizado semanalmente pela Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SESGO). Nessa quarta-feira (17/3), o estado superou a marca de 10 mil mortes por complicações da Covid.

0
Cautela

Os empresários de Alto Paraíso afirmaram ter recebido com cautela as informação sobre as novas restrições. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Alto Paraíso de Goiás (Aciap), que reúne 95 associados, Luis Paulo Veiga Nunes Pereira, disse que o grupo vai fazer reunião na noite desta quinta-feira (18/3) para discutir o assunto.

“Vamos ter reunião da Aciap para avaliação, leitura e interpretação do decreto, para termos clareza dos nossos pontos de vista. Quando saiu o decreto estadual, todo mundo esperava consequência para a cidade. Foi bem rígido”, afirmou ao Metrópoles.

De acordo com o presidente da Aciap, os empresários da cidade não querem estimular brigas nem polarização. Segundo ele, o grupo continua com campanha de conscientização na cidade. “A gente deseja uma cidade de conscientização e planejamento, e estamos tentando fazer o melhor possível, com segurança”, asseverou.

Na última quinta-feira (11/3), a prefeitura e empresários associados à Aciap chegaram a divulgar campanha na cidade, reforçando que a Chapada dos Veadeiros estava aberta aos turistas.

Veja vídeo, a seguir.

Por outro lado, adeptos ao “lockdown popular” dizem que veem o decreto de forma positiva, devido ao medo de avanço de casos na cidade. Eles entendem que é válida toda medida de enfrentamento ao coronavírus.

De acordo com o portal da Prefeitura de Alto Paraíso, a cidade já registrou três mortes por complicações da Covid. No total, o município tem 459 casos confirmados (8 pessoas estão em tratamento e 451 foram curadas). Outros 35 casos suspeitos estão em investigação

Na internet, favoráveis e contrários às restrições levantaram debate sobre o novo decreto. “Poxa. Eu tinha viagem marcada para a próxima quarta feira”, escreveu uma internauta.

“Não e essencial pra quem não depende do turismo dessa região. Esses governadores estão acabando com o nosso pais”, reclamou outra pessoa.

O Metrópoles não obteve retorno do prefeito.

Últimas notícias