Após aprovação de Coronavac para crianças, Anvisa recebe novas ameaças

De acordo com a agência reguladora, número de e-mails com ofensas e ameaças passa de 300. Caso é investigado pela Polícia Federal

atualizado 22/01/2022 13:40

fachada anvisaRafaela Felicciano/Metrópoles

Após a aprovação da vacina Coronavac para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na última quinta-feira (20/1), diretores do órgão voltaram a receber ameaças e intimidações por e-mail.

A informação foi confirmada ao Metrópoles por fontes ligadas à agência. Desde o início da discussão sobre a imunização infantil contra a Covid, técnicos, diretores e outros funcionários do órgão receberam mais de 300 ameaças.

De acordo com a Anvisa, o conteúdo das mensagens foi enviado à Polícia Federal (PF), que investiga o caso, e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

As primeiras ameaças foram enviadas ao órgão em novembro de 2021, quando a Pfizer anunciou que pediria autorização para o uso da vacina pediátrica contra Covid em crianças de 5 a 11 anos de idade.

Depois, em dezembro, os técnicos e diretores voltaram a receber intimidações. A agência solicitou proteção policial e comunicou o caso ao Gabinete de Segurança Institucional da Segurança da República (GSI), à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Covid-19: o que se sabe até agora sobre a vacinação de crianças

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Bolsonaro

A chegada dos e-mails foi intensificada após o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), afirmar que pediria exposição da identidade dos técnicos que atuaram no processo de liberação das vacinas infantis.

“A Anvisa não está subordinada a mim – deixar bem claro isso. Não interfiro lá. Eu pedi, extraoficialmente, o nome das pessoas que aprovaram a vacina para crianças a partir de 5 anos. Nós queremos divulgar o nome dessas pessoas para que todo mundo tome conhecimento de quem são essas pessoas e, obviamente, formem o seu juízo. […] Você tem o direito de saber o nome das pessoas que aprovaram a vacinação a partir de 5 anos para o seu filho”, disse o presidente durante transmissão ao vivo nas redes sociais.

Semanas depois, Bolsonaro insinuou que os membros da agência teriam interesses por trás da aprovação do imunizante. “O que está por trás disso? Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse daquelas pessoas taradas por vacina? É pela sua vida, pela sua saúde?”, questionou o chefe do Executivo federal.

A afirmação causou dura reação de Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa. Em comunicado direcionado a Bolsonaro, o militar solicitou retratação ou abertura de uma investigação contra os técnicos, caso haja indícios de corrupção.

“Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, senhor presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar. Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate”, cobrou Barra Torres.

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