Apesar de sair do Mapa da Fome, Brasil enfrenta insegurança alimentar

Após três anos no índice da FAO, Brasil volta a figurar entre os que superaram a fome crônica, mas ainda convive com cenários de insegurança

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Roberta Aline/ MDS
Merendeira distribuindo alimentos para crianças Brasil - Metrópoles
1 de 1 Merendeira distribuindo alimentos para crianças Brasil - Metrópoles - Foto: Roberta Aline/ MDS

O Brasil deixou oficialmente, nesta segunda-feira (28/7), o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), ao apresentar uma taxa de desnutrição inferior a 2,5% da população, o limite que define a inclusão no índice global. A nova classificação consta no relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025” (SOFI 2025), lançado durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, em Adis Abeba, Etiópia.

A conquista reflete a média trienal dos anos de 2022, 2023 e 2024. No período anterior, entre 2019 e 2021, o país havia retornado ao mapa, após tê-lo deixado em 2014.

Ainda assim, dados oficiais alertam: a insegurança alimentar continua presente e atinge milhões de brasileiros, mesmo com a melhora nos indicadores internacionais.

Quadro ainda é grave

Segundo a FAO, apesar da melhora na taxa de subnutrição — que caiu de 5,7%, há duas décadas, para menos de 2,5% — a insegurança alimentar grave ainda atinge 3,4% da população brasileira.

Isso equivale a mais de 7 milhões de pessoas que convivem com a fome real, sem saber se terão ao menos três refeições no dia.

O índice de insegurança alimentar moderada, segue alarmante, chegando a 13,5%, representa cerca de 29 milhões de brasileiros com acesso instável a alimentos ou sob risco constante de fome.

Em 2022, considerado o ano mais crítico da última década, a fome afetou 4,2% da população. No ano seguinte, a taxa caiu para 3,9%.

Agora, em 2025, o indicador ficou abaixo dos 2,5%, selando a saída do Brasil do mapa. Os dados da FAO são baseados na Prevalência de Subnutrição (PoU), que considera a quantidade de alimentos disponíveis, a desigualdade na distribuição de renda e a ingestão calórica mínima por indivíduo.


Entenda o Mapa da Fome

  • Criado pela FAO, o Mapa da Fome identifica os países onde mais de 2,5% da população sofre com subalimentação grave.
  • A medição utiliza o indicador PoU (Prevalence of Undernourishment), baseado em três fatores: oferta de alimentos disponíveis (produção interna + importações – exportações), distribuição desigual por renda (poder de compra das famílias) e recomendação calórica mínima (quantidade de calorias necessárias por indivíduo médio).
  • Se a média trienal desses dados ultrapassar 2,5% da população em risco, o país entra no Mapa da Fome. O Brasil voltou ao índice em 2019 e permaneceu nele até agora, quando a nova média (2022-2024) apontou melhora.

Números em perspectiva:

  • <2,5% dos brasileiros vivem com fome crônica (abaixo do limite da FAO);
  • 3,4% ainda enfrentam fome severa;
  • 13,5% convivem com insegurança alimentar moderada;
  • 20 anos atrás, a taxa de fome era de 5,7%;
  • Na América Latina, o índice atual é 5,1%; no mundo, 8,2%.

Políticas públicas em ação

A saída do Brasil do Mapa da Fome é celebrada pelo governo federal como uma vitória de suas políticas sociais.

“A saída do Brasil do Mapa da Fome é resultado de decisões políticas do governo brasileiro que priorizaram a redução da pobreza, o estímulo à geração de emprego e renda, o apoio à agricultura familiar, o fortalecimento da alimentação escolar e o acesso à alimentação saudável”, afirmou em nota, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Entre as ações destacadas pelo governo estão o fortalecimento do Bolsa Família, a valorização da agricultura familiar, o combate à pobreza extrema e o reforço da alimentação escolar.

Nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou:

“Minhas amigas e meus amigos. É com grande orgulho e imensa alegria que informo: O Brasil está fora do mapa da fome, mais uma vez”, escreveu o presidente.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?