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Brasil

Ao falar de minerais críticos, Lula diz que Trump tem inveja da China

Presidente afirmou ainda que EUA "pode começar a estar preocupado com o Brasil", já que o país quer dominar indústria de minerais críticos

10/07/2026 14:18
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Ao falar de minerais críticos, Lula diz que Trump tem inveja da China

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (10/7) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem “inveja” da China em relação ao domínio do país sobre minerais críticos. A declaração foi feita durante reunião no Palácio do Planalto com ministros, representantes do setor de mineração e especialistas para discutir uma política brasileira para o tema.

“Eu, sinceramente, achei que a gente era quase analfabeto nesse assunto e nessa reunião ficou claro o potencial de conhecimento que o Brasil tem em todas essas coisas que parecem uma coisa só da China, obcecada a ser a única do mundo, e da inveja do Trump de querer tomar o conhecimento da China”, declarou o petista.

O chefe do Executivo afirmou ainda que o mandatário norte-americano “pode começar a estar preocupado com o Brasil”, uma vez que o país pretende tratar o tema com maior qualificação.

Atualmente, a China domina entre 80% e 90% da cadeia global de extração e refino de terras raras, enquanto o Brasil possui a segunda maior reserva desses minerais e desenvolve estratégias para explorar os recursos e fortalecer a indústria nacional. Esses insumos são essenciais para as indústrias de defesa, tecnologia e veículos elétricos, o que desperta o interesse de potências como os Estados Unidos.

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“Eu confesso a vocês que essa reunião de hoje, essa reunião, é a mudança da nossa história nessa questão das terras raras e minerais críticos. Se o Trump está preocupado com a China, pode começar a estar preocupado com o Brasil, que nós vamos ser detentor de fazer as mesmas coisas, ou mais qualificadas, que o chinês faz”, pontuou Lula.

O presidente defende que o tema seja tratado sob a ótica da soberania, com o Brasil dominando toda a cadeia de processamento dos minerais.

“Nós não queremos ser vendedor de matéria-prima, nós queremos ser exportador de inteligência, de conhecimento. E é isso que a gente vai fazer com essas famosas terras tão raras, que eu ainda não as conheço. Mas vou conhecê-las”, frisou.

“Eu estou pedindo essa reunião já faz um tempo porque nós precisamos tomar decisão o que o governo vai fazer com esse material estratégico que pode dar ao Brasil, não apenas a soberania do minério, mas pode dar soberania também financeira, pode dar soberania, sabe, tecnológica, pode nos dar uma soberania de conhecimento numa área em que a gente já sabe o que fazer”, continuou o mandatário.

No Congresso Nacional, o tema também está em debate por meio de uma proposta que cria um marco regulatório para a exploração de minerais críticos e estratégicos. O projeto, conhecido como PL das Terras Raras, foi aprovado na Câmara em maio e, desde então, segue travado no Senado.

A reunião ocorreu em meio às discussões no governo sobre a formulação de uma política para o setor, além das negociações com os Estados Unidos em torno do novo tarifaço.

O governo norte-americano deve implementar uma taxação de 25% sobre produtos brasileiros, com decisão final esperada para a próxima quarta-feira (15/7), prazo limite das tratativas iniciadas a partir de recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).