Anti-isolamento, Russomano quer distribuir vitamina D contra coronavírus

Candidato do Republicanos diz que Bruno Covas (PSDB) vai voltar a fechar a cidade se for reeleito, e defende isolamento vertical

atualizado 05/11/2020 19:34

Fábio Vieira/Especial para o Mestrópoles

São Paulo – Em queda consistente nas pesquisas de intenção de voto e correndo o risco real de ficar fora do segundo turno na eleição municipal de São Paulo pela terceira vez seguida, o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) está alinhando cada vez mais seu discurso ao do presidente Jair Bolsonaro. Na tarde desta quinta-feira (5/11), em entrevista a um canal conservador no YouTube, Russomanno usou dados vagos sobre uma pesquisa científica para dizer que a distribuição em larga escala de vitamina D poderia ter salvado vidas – o que a pesquisa não conclui.

Na mesma entrevista, Russomanno disse que o adversário Bruno Covas (PSDB), que tenta a reeleição, “vai fechar tudo de novo, só passar a eleição”, referindo-se à medidas de isolamento social impostas para frear o contágio pelo coronavírus. Sem especificar sua fonte, Russomanno afirmou que, se continuar sendo prefeito, Covas vai dar como desculpa uma segunda onda de contágios para fechar a cidade.

“Se eu estivesse na administração, 40 dias depois do início da pandemia eu teria começado a abrir a economia pra evitar que tivesse a massa de desempregados que tem”, discursou Russomanno em entrevista ao canal de Alessandro Santana, um youtuber de tendências bolsonaristas.

A defesa da vitamina D

Na entrevista, Russomanno disse que recebeu nesta quinta, do presidente Jair Bolsonaro, notícia sobre a eficácia da vitamina D (que na verdade é um hormônio) contra a Covid-19. “Você viu o estudo que saiu agora, da vitamina D? Dos pacientes que tiveram a Covid, 80% tinham deficiência de vitamina D”, disse, sem citar a fonte, mas pedindo ajuda a seus assessores.

“O que o Bolsonaro fez na hora que começou a defender que não se quebrasse a economia no país? Ele baixou a alíquota da vitamina D a zero. E bateram nele, falaram um monte. Olha o resultado agora”, afirmou. “Se tivesse dado em larga escala a vitamina D, quantas vidas poderia ter salvado?”, questionou ainda.

Russomanno distorceu dados de uma pesquisa de cientistas da Universidade de Cantábria e do hospital Marqués de Valdecilla, na Espanha, que realmente conseguiram demonstrar que 82,2% dos pacientes internados com Covid-19 no centro de saúde tinham deficiência de vitamina D, mas alertaram que não é possível fazer uma relação direta de causa e consequência.

Um dos motivos é que os baixos níveis de vitamina D são comuns em pessoas idosas e com doenças crônicas, que fazem parte do grupo de risco para Covid-19 e estão entre os pacientes com maior taxa de internação pela doença.

Além disso, apesar desse elevado número de pacientes internados que realmente tinha deficiências de vitamina D, não foram encontradas diferenças significativas na taxa de mortalidade em relação àquela pacientes com níveis normais do hormônio.

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Itacaré na lista da Odebrecht

Em delação premiada, os ex-diretores da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Carlos Armando Paschoal disseram às autoridades que teriam repassado R$ 50 mil à campanha de Russomanno em 2010 via caixa 2. Segundo a delação, a operação teria sido registrada com o apelido “Itacaré” na famosa planilha de propinas do Setor de Operação Estruturadas do Grupo Odebrecht.

Cobrado na entrevista, Russomanno reafirmou que não recebeu nada ilegal e negou saber o que aconteceu para ter sido citado. “Disseram que foi uma pessoa em meu nome. Me diga quem foi. Porque se tem um representante meu fazendo bandalheira, se tem alguém que fala em meu nome praticando corrupção, me diga quem é, porque eu quero levar ele pra cadeia”, discursou.

“Se acharem quem foi e a pessoa tiver mesmo minha autorização, abro mão da minha candidatura”, concluiu o candidato. A investigação sobre essa delação segue em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

Derretimento nas pesquisas

O atual prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), consolidou sua liderança nas intenções de voto, segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta quinta-feira (5/11). Covas agora tem 28%, contra 16% de Russomanno, que caiu 4 pontos em relação ao último levantamento do instituto, divulgado em 22 de outubro. Covas tinha 23% e subiu 5 pontos.

Mantendo os 14% que tinha nessa rodada anterior, Guilherme Boulos (PSol) está empatado com Russomano tecnicamente. Márcio França (PSB) oscilou de 10% para 13% e está empatado com os dois.

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